[COLUNAS] Redação 10 na FUVEST

[COLUNAS] Redação 10 na FUVEST

Começo de ano é meio igual de modo geral, não? Estamos todos ainda pegando o ritmo – que diminuiu a velocidade devido ao hiato das festas – retomando aos poucos as atividades rotineiras, de barriga cheia, energia renovada e descansados. Exceto os vestibulandos que não vivem essa mesma calmaria por conta das principais provas que estão rolando no período. Quem já passou por essa fase da vida, sabe como é tenso manter-se atento às fórmulas de exatas, contextos históricos e ainda estar antenado aos principais debates que aconteceram no período. E, para minha grata surpresa, é justamente neste ambiente rico de possibilidades e cheio de conhecimento que surge o primeiro tema de nossa conversa neste ano.

 

Isso porque, no primeiro final de semana de 2018, um domingo de chuva, dia 7 de Janeiro, mais de 20 mil pessoas tiveram acesso a segunda fase de provas da FUVEST – considerado maior e mais importante vestibular do país -, que mitou e selecionou como tema para a redação a seguinte questão: “Devem existir limites para a arte?”.

 

P a l m a s   e s p a ç a d a s, FUVEST!

 

Mesmo meses depois de seu start, olha onde chegou a discussão sobre os mais recentes fatos no mundo das artes visuais! Anualmente, a FUVEST destaca o que há de mais relevante para esse espaço tão nobre – a nota da redação pode ser determinante no “passar ou não no vestibular” – e neste espaço os futuros engenheiros, médicos, advogados etc, tiveram de sacar desde já, antes de ingressar na graduação, o papel da arte na sociedade ao serem estimulados a refletir e argumentar sobre o assunto.

 

A meu ver, não havia lugar mais pertinente para esse tipo de debate. Já que alguns museus, que deveriam ser os guardiões da nossa cultura, “seja ela a boa arte ou a arte degenerada” – leia-se com bastante sarcasmo essa segunda colocação -, nos encheram de vergonha em 2017 com suas posturas frente ao ímpeto político de alguns grupescos.

 

Pense. Desde o início, era sobre isso que estávamos falando: discussão mediada de qualquer tipo de tema. Dos mais polêmicos aos mais tradicionais. Escola com e sem partido, educação de gênero e por aí vai. Todos pensados dentro das escolas, nas universidades e inclusive nos museus, que embora não seja do conhecimento de todos, mas estes precedem as universidades aqui no Brasil, por isso so seu caráter formativo, a exemplo do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro. Seria incrível, não?

 

Então, aproveito a chance e dou minha nota 10 à FUVEST. Afinal, a universidade é efervescente por essência. É um lugar de tamanha energia boa que não poderia brindar de forma melhor o início de 2018 das artes visuais. Uma pena que embora seja a universidade um lugar propício para o erro, essa não é a atmosfera do vestibular e aqueles que erram nessa ocasião serão punidos grotescamente. Exceto por esta redação. Dessa vez, não tinha certo ou errado. Tinha opinião, discussão, reflexão e pluralidade.

 

Que possamos falar e ouvir mais os discursos e berros sociais que somente a arte pode proporcionar.

 

*Thomaz Pacheco é galerista na OMA Galeria – primeiro espaço privado de artes visuais da região do ABC Paulista – e articulador cultural independente. Também já atuou como curador na Pinacoteca de São Bernardo do Campo.

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