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Pinacoteca Estação apresenta mostra de Rosângela Rennó a partir de 2 de outubro

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São Paulo celebra os 35 anos de carreira de Rosângela Rennó com uma mostra panorâmica que reúne cerca de 130 obras entre 1987 e 2021. A exposição “Pequena ecologia da imagem” fica em cartaz a partir de 2 de outubro.

A mostra apresenta os principais argumentos que a artista desenvolveu em torno da “fotografia expandida”, aquela que extrapola a criação de imagens autorais e inclui seus processos técnicos e sociais. Além de obras que pontuam toda essa trajetória, a curadoria inclui trabalhos que serão vistos pela primeira vez e um projeto comissionado pela Pina.

O ineditismo no Brasil fica por conta da instalação “Eaux des colonies” (2021), resultado da residência artística de Rennó em Colônia, na Alemanha, e a série “Seres notáveis do mundo” (2014-2021), produzida em Las Palmas, Espanha. Ainda faz parte da seleção, a videoinstalação “Terra de José Ninguém” (2021), uma reunião de videoaulas distribuídas pela igreja católica, em 1980, no tocante a luta do cidadão comum pelos direitos políticos e civis, que foi comissionada pela Pinacoteca de São Paulo para esta exposição. Também ganham ênfase os trabalhos “Realismo fantástico” (1991); “Série Vermelha” (Militares) (2000-3) e “Arquivo Universal” (1992-).

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Com curadoria de Ana Maria Maia, a mostra adota trabalhos de linguagens diversas, das fotografias às coleções, objetos, instalações e obras audiovisuais que estarão distribuídas em três salas no quarto andar da Pinacoteca Estação. Apesar da variedade de suportes, há um direcionamento para o modo como a artista observou e comentou um imaginário histórico brasileiro e suas persistências no presente. A organização expositiva abandona a cronologia para uma apresentação com bases nos assuntos tratados de forma persistente e reincidente no decorrer da sua trajetória.

Ao todo, serão 3 núcleos temáticos. O primeiro deles se dedica à privacidade dos sujeitos e às políticas da memória. Neste espaço, constam trabalhos do início da carreira de Rosângela Rennó, quando predominava o recurso aos arquivos de família, de tom autobiográfico, e uma autorreferência dos processos e materiais fotográficos. A série “Pequena Ecologia da Imagem”, 1988, obra título da mostra, está nesta sala e parte dos álbuns de fotos tiradas por seu pai. Rennó manipula os elementos da imagem, deixando ora muitos escuros, apenas as silhuetas, e faz comentários visuais e textuais nas próprias fotos reveladas. Na sala, há também obras posteriores, como a série “Corpo da alma” (2003), feita a partir de fotos de jornais em que familiares de desaparecidos portam fotografias para publicizar sua busca. A artista reproduz essas imagens e, a partir delas, reflete sobre o papel da fotografia como atestado de existência, muito mais do que apenas memória.

Na próxima sala, encontra-se uma produção artística pautada pela observação das instâncias públicas. Como a imprensa, o estado e as instituições de formação e controle contribuem para processos de subjetivação individuais e coletivos? Neste eixo, o visitante terá acesso a alguns trabalhos do projeto “Arquivo Universal” (1992-), uma das séries mais longas e ainda em curso da artista, que consiste em uma coleção de matérias de jornais onde se faz referência a uma fotografia que está ausente. Os relatos, como, por exemplo, “a mulher indiana, V., tirou de sua roupa a foto encardida”, são diagramados por Rennó e podem ser apresentados em contornos simples ou até mesmo tornarem-se parte de uma instalação com um design de luz próprio, é o que acontece em “Hipocampo” (1995-8), que está presente na mostra.

O último eixo traz uma análise constante da artista sobre os efeitos da colonialidade na manutenção de sistemas de controle e violência, permeados por questões de classe e principalmente de raça. Na sala, será exposto o projeto inédito e ainda em construção “Eaux des colonies” (2020-), instalação com frascos de perfume que é resultado da residência artística de Rennó em Colônia, na Alemanha, realizada em 2020.

Serviço

Local: Pinacoteca Estação – 4° andar – Largo General Osório, 66 – Santa Ifigênia – São Paulo.

Visitação: 2/10 a 7/3/22.

Link para ingressos: www.pinacoteca.org.br.

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