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Museu de Arte Sacra de São Paulo exibe exposição do artista plástico João Trevisan

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O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS/SP, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, exibe a exposição “Corpo e Alma”, do artista plástico João Trevisan, sob curadoria de Simon Watson, a partir de 24 de abril. Composta por trabalhos com técnicas e suportes diferenciados, a exposição apresenta 28 obras criadas nos três últimos anos, com uma seleção de pinturas a óleo, esculturas em madeira talhada e ferro bruto e uma vídeo-performance, registrada em local próximo ao estúdio do artista em Brasília. “João Trevisan: Corpo e Alma”, é a primeira mostra individual institucional do artista e a primeira exposição do projeto Luz Contemporânea.

A exposição, instalada no sentido horário, começa com os primeiros trabalhos do período – pinturas tão pequenas como livros de orações – e finaliza com os mais recentes – pinturas com dimensões semelhantes a murais. Intercaladas às telas, estão as esculturas. Para João Trevisan, o processo de pintura se assemelha a uma meditação profunda e inclui percorrer, varrer a superfície de cada trabalho mais de 500 vezes até atingir brilho polido. A cor preta, intensa, exibida na série de pinturas “Intervalo”, lhes concede uma qualidade meditativa que parece aludir não só à noite, mas ao cosmos como um todo.

As esculturas são construídas a partir de peças de ferro descartadas – parafusos, porcas, sucata etc. – e dormentes de madeira encontrados em pátios ferroviários. A qualidade bruta dessas esculturas parece remeter ao sec. XIX quando os trens de carga percorriam a rede ferroviária do Brasil. Em destaque estão grandes vigas de madeira conectadas por dobradiças de ferro; uma pilha organizada em forma de leque de grandes parafusos industriais; e uma pilha de placas de ferro – todas com uma sensual pátina de ferrugem avermelhada que ecoa as superfícies das pinturas próximas.

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Vários aspectos da técnica de João Trevisan se juntam na performance de vídeo de seis minutos da exposição, “Caminhar para acender”. Em um devaneio de uma performance que parece falar poeticamente sobre o material de origem das pinturas do artista, Trevisan é visto primeiro em um trilho de ferrovia, ‘lutando’ com um enorme pedaço de madeira e em seguida, carregando-o no ombro colina acima, onde, ao anoitecer, ele o queima. Para aqueles que se lembram de ouvir trens distantes, essa vídeo-performance atinge diretamente a memória. Mas a obra possui força própria para seduzir a todos. Instalado no Museu de Arte Sacra, ecoa pelos corredores repletos de artefatos do barroco brasileiro e ícones religiosos, para nos lembrar da luta humana e dos anseios espirituais.

Serviço

Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo. Avenida Tiradentes, 676 – Luz, São Paulo.

Visitação: Até 20/6. Terça a domingo, 11h às 17h.

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