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Museu da República apresenta mostra “Retratos Relatos” a partir de 15 de novembro

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A exposição “Retratos Relatos”, da artista carioca Panmela Castro abre à visitação, no dia 15 de novembro, no Museu da República. Com curadoria de Keyna Eleison, a mostra apresenta uma série de retratos inspirados em relatos de mulheres enviados à artista por email.

Tudo começou em 2019. Motivada pela repercussão de um suposto caso de abuso que veio a público envolvendo uma jovem e um jogador de futebol, Panmela postou nas redes sociais uma experiência que havia vivenciado anos atrás e convidou outras mulheres a dividirem suas histórias. A resposta foi tão grande que Panmela, premiada internacionalmente pelo seu ativismo social frente à ONG Rede Nami, resolveu transformar os relatos em um projeto artístico. Desde então, a artista vem recebendo via email estórias de mulheres de todas as partes do país, acompanhadas por selfies. Cada relato foi transformado num portrait, inspirado não só pela imagem da autora como na temática da narrativa.

Ao todo, a exposição traz 18 obras das quais sete são inéditas, criadas no último ano, ao longo do isolamento. Cada pintura vem acompanhada do texto na íntegra, tal qual foi escrito, sem que o nome seja revelado. São relatos, por exemplo, de mulheres contando como se sentiram em suas casas nesse período, acumulando funções do trabalho remoto e a responsabilidade pelos cuidados da família. Das obras antigas para as novas não só os temas mudaram como também o visual das pinturas. Segundo Panmela, durante o período sozinha no ateliê, ela pode se concentrar em desenvolver seu trabalho de arte, criando novos rumos para a sua produção.

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Apesar de não ter estipulado o teor, a maioria dos relatos fala de abusos contra a mulher nas suas mais variadas formas. Um deles, inédito no acervo, é o da Dra. Cristina, caso emblemático da década de 80, que acabou abrindo portas para que outras mulheres denunciassem seus companheiros. Cristina teve 85% do corpo queimado pelo namorado e o agressor foi condenado a 11 anos de prisão em uma época em que não existia a Lei Maria da Penha. Hoje, ela está à frente de uma organização especializada em tratar cicatrizes emocionais. A mostra também traz o relato da própria Panmela, vítima de abuso sexual na adolescência.

Os relatos enviados durante a quarentena apontam para um velho e conhecido problema da nossa sociedade: o machismo estrutural, que acaba regendo todas as relações dentro de casa, não só entre marido e mulher como também entre pais e filhos. São desabafos de mães sobrecarregadas com os afazeres de casa e deveres profissionais; mães e filhas descobrindo na convivência diária suas diferenças; ou simplesmente mulheres que viram suas vidas virarem do avesso por conta da pandemia. Um deles conta o drama de uma jovem que descobriu ser soropositiva no meio da gestação durante a quarentena. A partir daí, ao invés de apoio, ela passa a sofrer todas as formas de violência possível do marido e de sua família, culminado com a perda da casa e a guarda do bebê.

Estórias como essas reforçam também uma das principais bandeiras levantadas por Panmela: a equidade racial e de gênero. Segundo ela, a pandemia trouxe uma maior preocupação com os mais vulneráveis se fazendo urgente repensar as políticas em prol desses indivíduos.

Ao longo dos meses, como parte da programação de “Retratos Relatos”, também serão promovidas algumas atividades gratuitas no Museu da República, tais como, uma tarde de pintura ao vivo com Panmela no jardim e uma oficina de autoretrato no espaço educativo da instituição.

Serviço

Local: Museu da República – Rua do Catete, 153 – Catete – Rio de Janeiro.

Visitação: 15/11 a 31/3/22. Terças a sextas, 10h às 17h. Sábados, domingos e feriados, 11h às 17h.

Ingressos: Grátis.

Classificação: Livre.

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