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Manuel Solano apresenta suas obras pela primeira vez no Brasil, na Pivô

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A dupla de curadores portugueses João Mourão e Luís Silva, assina a exposição Heliplaza, queapresentará no Brasil, pela primeira vez, a obra de Manuel Solano (Cidade do México, 1987). A exposição individual é inspirada nas lembranças de Solano sobre um antigo shopping center localizado no subúrbio da Cidade do México. A mostra segue com visitação gratuita até 6 de novembro.

Heliplaza é o nome de um shopping em Ciudad Satélite, desenvolvido na década de 1980, frequentado por Solano na infância. Através de pinturas e instalações, a exposição explorará a estética dos centros comerciais e noções de arquitetura e decoração, investigando como a personalidade pode ser expressa através da decoração. O projeto é um resultado direto das memórias de Solano e também de seu envolvimento com o edifício Copan – onde o Pivô está localizado – e sua impressionante arquitetura modernista.

Manuel Solano, que se identifica como pessoa não-binária, era artista emergente de 26 anos quando, em 2013, perdeu a visão devido a uma infecção relacionada ao HIV. Não querendo sofrer por sua condição e com o apoio de seus amigos, Solano voltou a trabalhar. Mas, em vez da arte experimental de seus primeiros anos, começou de novo com uma série de retratos expressivos e pinturas de palavras intitulados “Transsexual cego com AIDS”. Minando suas memórias da cultura pop e dos tempos passados, Solano criou um impressionante corpo de trabalho, aplicando a tinta na tela diretamente com as mãos. Como Solano se baseia em suas memórias, as estrelas pop e as formidáveis ​​figuras femininas que homenageia são um panteão autobiográfico de suas influências formativas. Enquanto Solano transcende o gênero fixo em sua identidade pessoal, seu trabalho tem a energia elétrica gerada pelo atrito entre estereótipos exagerados de gênero.

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Heliplaza é a continuidade de uma parceria entre o Pivô e a Kunsthalle Lissabon, sediada em Lisboa e dirigida por Luís Silva. Em 2019, a instituição portuguesa recebeu uma versão da exposição coletiva Rocambole, dos artistas Flora Rebollo, Thiago Barbalho e Yuli Yamagata, como parte das comemorações de seus 10 anos de atividades. A primeira versão da mostra ocorreu no Pivô entre junho e julho de 2018, como um desdobramento das experiências dos artistas no programa de residências Pivô Pesquisa. Em Lisboa, os artistas levaram adiante o processo compartilhado de construção da exposição, realizando novamente parte dos trabalhos em um ateliê coletivo no Pivô, para, então, finalizar as obras no espaço expositivo em Portugal.

Kunsthalle Lissabon é um experimento para pensar sobre quais modelos institucionais relevantes somos capazes de produzir e que mundo somos capazes de instituir como comunidade. A instituição trabalha com noções de sociabilidade, solidariedade e generosidade como ferramentas curatoriais. A amizade se torna o resultado de atividade institucional, não sua causa. É um horizonte político para o qual se almeja, não uma forma de nepotismo insular. Para Kunsthalle Lissabon, a amizade é um resultado relevante quando se pensa em ética e política curatoriais e pode oferecer uma maneira política de se envolver criticamente com o que nos rodeia.

Serviço

Local: Pivô– Edifício Copan, loja 54 – Avenida Ipiranga, 200 – República – São Paulo.

Visitação: Até 6/11. Quarta à sábado, 13h às 19h.

Ingressos: Grátis.

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