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Livro “João Gilberto, a bossa” reconstrói genial carreira do músico baiano através de memórias reunidas pelo amigo Luiz Galvão

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As décadas de amizade entre João Gilberto (1931-2019) e Luiz Galvão (1937) foram pontuadas por inúmeros momentos de afeto e comunhão artística. Uma irmandade que começou ainda na adolescência, na cidade de Juazeiro, sertão da Bahia, terra natal de ambos. Boa parte dessas lembranças estão presentes no lançamento do e-book “João Gilberto, a bossa” (Lazuli Editora, 2021, 244 páginas), novo livro do poeta, compositor, músico e um dos integrantes do lendário conjunto Os Novos Baianos.

É a primeira vez que vem a público uma obra sobre João Gilberto escrita por quem, de fato, desfrutou sua intimidade ao longo dos anos. O músico era notório pela postura intensamente reservada e avessa à entrevistas. Desta forma, o livro começou a ser planejado em 1999, quando Luizinho (como era carinhosamente chamado pelo amigo) iniciou estudos aprofundados sobre a produção do artista, com sua aprovação e sob sua exigente supervisão.

O trabalho é, portanto, resultado de uma acurada pesquisa, que tem como ponto de partida os primeiros contatos do violonista e cantor com o instrumento com o qual, no final dos anos 1950, revolucionaria a música brasileira e criaria uma nova sonoridade, reverenciada mundialmente até hoje. Foi Dagmar, irmão mais velho do autor, quem ensinou os acordes básicos de violão ao menino João Gilberto, que ainda era estudante do Colégio Dom Bosco quando demonstrou aptidão com as partituras.

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Com minhas lembranças e dos amigos, também estou sentindo no meu coração, e assistindo na tela da minha cabeça, um filme colorido, lindo, um que Glauber Rocha, Fellini ou Chaplin seria capaz de criar, porque tudo é muito único, pois se trata da vida real. Com trilha sonora repleta de Bim Bom, Undiú, Bebel e sons que nadam no Rio São Francisco“, escreve Galvão em seu prefácio.

Para esmiuçar a brilhante obra de João Gilberto em todas as suas fases, o autor consultou um apanhado de nomes: Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Davi Moraes, Carlos Rennó, Aderbal Duarte, Tuzé de Abreu, Mauriçola, Paulo Levita e Silvio Palmeira   Tomaz, além de Rogério Duarte e o fotógrafo Mario Luiz Thompson.

Assim, o livro é composto por relatos diversificados, singelos, advindos de saudosos amigos e admiradores veementes da técnica, instrumentação harmônica, domínio rítmico, sensibilidade e criatividade do intérprete de clássicos como Chega de Saudade, Desafinado e Meditação.

Históricos concertos – a exemplo dos realizados no Credicard Hall, em São Paulo, Teatro Santa Isabel, em Recife ou Carnegie Hall, em Nova York – são revividos pelo autor, por vezes em detalhes. As reminiscências confirmam a magnitude que João Gilberto alcançava em suas apresentações ao vivo, célebres pelas improvisações e episódios cativantes, mas também jocosos.

Gilberto é um artista único, não só pelo seu modo de cantar e tocar, mas principalmente por suas atitudes poéticas que, às vezes, são compreendidas por alguns como excentricidade do artista. Já inventaram até uma classificação de lenda e folclore anedótico a que chamam ‘coisas de João Gilberto’. Acontecem mesmo coisas bonitas vistas apenas por quem olha com poesia”, escreve Galvão, também autor de Novos Baianos – A história do grupo que mudou a MPB, igualmente editado pela Lazuli.

Serviço

João Gilberto, a Bossa

Formato: E-book (Livro Digital)

Autor: Luiz Galvão.

ISBN: 9788578651473

Editora: Lazuli (244 páginas).

Preço: R$34,90

Sugestão de link: https://books.google.com.br/books/about/Jo%C3%A3o_Gilberto.html?id=jPkxEAAAQBAJ&redir_esc=y

Site da editora: https://lazuli.com.br/

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1 comentário
  1. CLAUDIO BRUZADIN Diz

    Conheci João Gilberto com 12 anos de idade, através do LP “O amor, o sorriso e a flor”.
    Com certeza lerei seu e-book sobre o JG.

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