Tarsila do Amaral (1886-1973), artista central do modernismo brasileiro é tema de ampla mostra no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) a partir de 5 de abril. Tarsila popular, com curadoria de Adriano Pedrosa e Fernando Oliva, reúne aproximadamente 120 obras da artista. A exposição integra o ciclo “Histórias das mulheres, histórias feministas”, eixo temático que guiará a programação da instituição ao longo de 2019. O público poderá conhecer ou aprofundar-se na vasta produção de Tarsila do Amaral até 23 de junho.

O “popular” do título refere-se tanto ao recorte da obra de Tarsila, pelos curadores, como ao programa de revisão da produção de nomes centrais do modernismo brasileiro, empreendido pela atual direção artística do MASP.  Neste contexto, a obra de Tarsila está na base da construção de uma identidade nacional nas artes, ao lado de nomes como Lasar Segall (1891-1957) e Anita Malfatti (1889-1964).

Sem abdicar por completo da matriz modernista europeia e formal da qual fez parte, Tarsila voltou-se para personagens, temas e narrativas ligados ao popular no Brasil. Esse aspecto se manifestou em diversos trabalhos, como é possível observar em suas cenas de Carnaval, favelas e feiras ao ar livre, além da relação de sua obra com a religiosidade e, ainda, com as lendas populares e indígenas — caso das obras “A cuca” (1924), “Abaporu” (1928) e “Batizado de Macunaíma” (1956).

Nascida em uma fazenda no interior paulista, em 1886, Tarsila fez parte da aristocracia brasileira. Estudou as técnicas acadêmicas tradicionais na Europa, onde conviveu com pintores como André Lhote (1885-1962) e Fernand Léger (1881-1955). Desse período, chamam atenção retratos que já apontavam para uma ideia de modernidade — na pincelada, na representação não-realista e na tentativa de captar o emocional dos modelos –, como em “Autorretrato com vestido laranja” (1921).

Apesar disso, foi ao voltar ao Brasil, em 1922, que Tarsila aderiu às ideias vanguardistas europeias, incorporando-as à sua maneira de representar o Brasil. Foi apresentada por Anita Malfatti ao escritor Mário de Andrade (1893-1945), ao futuro marido Oswald de Andrade (1890-1954) e ao poeta e pintor Menotti del Picchia (1892-1988), formando com eles o Grupo dos Cinco.

Já a fase “Pau-Brasil” é marcada por telas de cores e temas acentuadamente tropicais, como a exuberância da fauna e da flora locais, pintadas ao lado de máquinas e trilhos, símbolos, por sua vez, da modernidade urbana do país. Desse momento, são singulares obras como “Estrada de Ferro Central do Brasil” (1924), “Vendedor de frutas” (1925) e “Um pescador” (1925), pintura que faz parte do acervo do museu Hermitage, na Rússia, e será exposta pela primeira vez no Brasil.

Foi ainda nos anos 1920 que Tarsila deu início à fase “Antropofágica”, em que conseguiu criar algo de único e particular. Em 1926, Tarsila casou-se com Oswald e apresentou sua primeira individual, em Paris. Dois anos depois, pintou “Abaporu”, cujo nome de origem indígena significa “homem que come carne humana — tipo de ritual praticado por algumas tribos brasileiras, especialmente os tupinambás. A chamada fase “Social”, que se segue a “Pau-Brasil”, e “Antropofágica”, deixa clara a aproximação de Tarsila com as questões políticas e sociais. No início da década de 1930, a artista, empobrecida pela perda da fortuna da família na crise de 1929, teve de se desfazer de obras de sua coleção particular.

Organizado por Adriano Pedrosa e Fernando Oliva, a publicação será lançada na abertura da exposição, com edições em português e inglês, e inclui ensaios de Adriano Pedrosa, Amanda Carneiro, Fernando Oliva, Irene Small, Mari Rodríguez Binnie, Maria Bernardete Ramos Flores, Maria Castro, Michele Greet, Michele Petry, Paulo Herkenhoff, Renata Bittencourt, Sergio Miceli. O catálogo pode ser adquirido no MASP Loja, ponto de vendas do museu com entrada gratuita, independente das exposições. Valores: R$ 139,00 (brochura) e R$ 169,00 (capa dura).

Serviço:

Local: MASP – Avenida Paulista, 1578, São Paulo.

Visitação:  5/4 a 23/6. Quarta a domingo, 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30). Terça-feira, 10h às 20h (bilheteria até 19h30).

Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada para estudantes, professores e maiores de 60 anos). Menores de 11 anos não pagam. O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras.

Informações: (11) 3149-5959.

 

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