A Pinacoteca de São Paulo inaugura dia 15 de junho a exposição “A linha como direção”, com curadoria do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do museu. A mostra apresenta 12 esculturas e relevos, pertencentes ao acervo da Pinacoteca, que tem em comum o fato de apoiarem-se no elemento geométrico da linha para criar sua espacialidade, retendo, de maneira direta ou indireta, alguns dos questionamentos propostos pelo construtivismo no início do século XX.

Os trabalhos reunidos nesta exposição aludem alguns pontos defendidos dentro dessa proposta construtivista. Macaparana e Joaquim Tenreiro, por exemplo, criam volumes a partir do cruzamento das linhas ortogonais ou diagonais e formam tramas e grades que transformam a planaridade da linha em tridimensionalidade, por sua aproximação e adensamento.

Willys de Castro e Luiz Hermano também operam com a modulação da linha e com ela sugerem volumes sucessivos ou alternados. Todos eles ocupam o espaço, tanto com cheios como com vazios, numa quase demonstração da possibilidade de separar o volume da massa de que também falavam os construtivistas. Sérvulo Esmeraldo joga com a nossa percepção virtual ao transformar a linha em plano e o uso da cor para sugerir cheios e vazios. Sérgio Sister, por sua vez, conhecido por seu trabalho em pintura, também aplica o elemento da cor para enfatizar as mudanças de ritmo na modulação das linhas retangulares de seus relevos.

Foram incluídos também na seleção curatorial, artistas que jogaram nova luz sobre a linhagem construtivista. Mari Yoshimoto utiliza-se das linhas quebradas e ásperas do arame farpado para construir esferas perfeitas. Ignez Turazza, Iole de Freitas e Erika Verzutti operam com a noção de uma linha que não pretende delimitar o espaço ou as forças nele atuantes, mas que se associa à especulação das coisas informes. “Essas artistas retiram sua graça justamente de seu caráter de risco, de quase-objeto – que pode ser completado pela vontade e fantasia, ou que se mantém para sempre em potência, no estado de esboço ou como vestígio, resto ou memória”, finaliza Fernanda Pitta, uma das curadoras do núcleo.

Artistas participantes:

Bené Fonteles (Bragança, PA, 1953)

Erika Verzutti (São Paulo, SP, 1971)

Iole de Freitas (Belo Horizonte, MG, 1945)

Joaquim Tenreiro (Beira Alta, Portugal, 1906 – Itapira, São Paulo, SP, 1992)

León Ferrari (Buenos Aires, Argentina, 1920 – 2013)

Luiz Hermano (Preaoca, CE, 1957)

Macaparana (Macaparana, PE, 1952)

Mari Yoshimoto (Santa Rosa do Viterbo, SP,1931 – São Paulo, SP, 1992)

Sérvulo Esmeraldo (Crato, 1929 – Fortaleza, CE, 2017)

Willys de Castro (Uberlândia, MG, 1926 – São Paulo, SP, 1988)

Sérgio Sister (São Paulo, SP, 1948)

 

Serviço

Local: Pinacoteca: Estação – Largo General Osório, 66 – Luz – São Paulo.

Visitação: 15/6/2019 a 3/2/2020. Quarta a segunda, 10h às 17h30 – com permanência até as 18h.

Ingressos: Grátis.

 

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