Mostrar o mundo como uma estrutura passível à mudança e posicionar-se como resistência diante da profusão de contradições formais, políticas e socioculturais. Este é o contexto que resultou na mostra “Em Choque”, coletiva que a Choque Cultural leva ao público, até 3 de maio, no Projeto Estúdio Itaim. A exposição reúne trabalhos recentes e inéditos de Alê Jordão, coletivo Bijari, Daniel Melim, Jaca, Mariana Martins, Narcélio Grud, Rafael Silveira e Tec.

A exposição marca um novo momento da galeria. No ano em que completa 15 anos em atividade, a Choque Cultural consolida seu espaço na arte pública e fortalece seu manifesto embrionário por atuar no coletivo. Como um projeto híbrido, as exposições extrapolam as paredes da galeria e ocupam as vias urbanas e espaços expositivos complementares. Os artistas abrem seus estúdios e os transformam em partes do todo. É o chamado Projeto Estúdio, que na ocasião da mostra ocupa o galpão industrial onde também funciona o ateliê de Alê Jordão.

Em diálogo com o cenário atual que o Brasil atravessa, o corpo de artistas toma como um de seus objetivos aproximar o espectador dos fatos históricos que o rodeiam. As memórias encapsuladas de Mariana Martins, materializadas em obras com resina transparente, preservam e passam adiante suas lembranças. Ela também exibe trabalhos da série Diplomas, feitos a partir da combinação de linguagens que a acompanha todo o tempo: o desenho, a pintura, a caligrafia e a colagem. Com eles, a artista levanta questionamentos sobre o sistema educacional tradicional.

A cidade também é base recorrente para estes artistas. O argentino Tec, autor de uma obra que reafirma sua relação com a metrópole, convida o espectador a uma interação pela transgressão de escalas. Na exposição, ele reflete sobre temas que reverberam nas ruas paulistanas e exibe uma videoinstalação inédita, posicionada no piso de um ringue que ocupa parte do espaço expositivo.

A desconstrução e a ressignificação de objetos surgem no trabalho do cearense Narcélio Grud aliadas ao convite por interações com o ambiente expositivo. No conjunto inédito Fé Cega, Faca Amolada, o artista apresenta uma série de objetos construídos com tábuas de carne e facas que, combinadas, formam kalimbas. Em suas mãos, as lâminas se tornam esculturas sonoras e evidenciam sua relação com a cinética.

Serviço:

Local: Choque Cultural – Projeto Estúdio Itaim – Rua Comendador Miguel Calfat, 213 – Itaim Bibi – São Paulo.

Visitação: 16/3 a 3/5. Terça a sábado, 11h às 18h.

Ingressos: Grátis.

Informação: (11) 3061-4051.

 

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