O IMS Paulista apresentará uma extensa retrospectiva da produção de Marc Ferrez (1843-1923), um dos principais fotógrafos brasileiros do século 19, a partir de 26 de março. Com curadoria de Sergio Burgi, “Marc Ferrez: território e imagem” reúne mais de 300 itens, entre fotografias, álbuns originais, câmeras, equipamentos e documentos do artista, dono de uma obra que se equipara à dos grandes nomes da fotografia em todo o mundo. Na ocasião também haverá lançamento do livro Marc Ferrez, uma cronologia da vida e da obra, de Ileana Pradilla Ceron, responsável pelo Núcleo de Pesquisa em Fotografia do IMS.

A exposição evidencia as múltiplas facetas da carreira de Ferrez, da sua atuação como fotógrafo oficial em projetos do Império à sua proximidade com a ciência e a engenharia, além da sua presença no ramo empresarial, especialmente na comercialização de equipamentos fotográficos e cinematográficos. A mostra abrange o período de 1867, início de sua carreira, até 1922, um ano antes de seu falecimento.

Na primeira sala, está o trabalho inicial de Ferrez, a partir de 1867, quando ele inaugura seu estúdio no Rio de Janeiro. São paisagens de várias localidades, sobretudo da cidade carioca. Aqui, evidencia-se o diálogo de Ferrez com seus contemporâneos, como os fotógrafos Revert Henrique Klumb e Augusto Stahl. Muitas das imagens apresentadas nessa sala são raras, já que, em 1873, um incêndio destruiu o ateliê de Ferrez, restando poucos materiais desse período.

Em seguida, a exposição apresenta o seu trabalho como fotógrafo oficial da Comissão Geológica do Império do Brasil. Estabelecida em 1875, a comissão foi criada com o objetivo de realizar um levantamento geológico sistemático de todo o território brasileiro. Junto à comissão, Ferrez percorreu o país de Norte a Sul, entre 1875 e 1878, tornando-se o primeiro fotógrafo a documentar extensivamente as diversas regiões do Brasil.

Também estão presentes registros de obras públicas, como a construção e modernização das ferrovias, associadas diretamente à expansão da economia brasileira na segunda metade do século XIX, em especial da produção cafeeira. Na exposição, haverá imagens que mostram a modernização da estrada de ferro da São Paulo Railway Company, que ligava Santos a Jundiaí, e imagens da construção da estrada de ferro Curitiba-Paranaguá, considerada a mais ousada obra de engenharia do país na época, entre outras.

Ferrez documentou também o trabalho escravo nas fazendas de café do vale do Paraíba. As fotografias, destinadas a apresentar o país e seu principal produto econômico em exposições e feiras internacionais, buscavam apresentar um sistema de aparente produtividade e eficiência, mas que também revelam, entretanto, a realidade de homens, mulheres e crianças escravizados e submetidos a um sistema brutal e anacrônico, que se arrastaria até o final da década de 1880.

Serviço:

Local: IMS Paulista – Avenida Paulista, 2424, São Paulo.

Visitação: 26/3 a 21/7. Terça a domingo e feriados (exceto segunda), 10h às 20h. Quintas, até as 22h.

Ingressos: Grátis.

Informações: (11) 2842-9120.

 

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