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Espetáculo “Senhora X, Senhorita Y” fica em cartaz on-line até 27 de abril

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Tendo como ponto de partida a peça “A Mais Forte”, de August Strindberg, “Senhora X, Senhorita Y” propõe uma subversão do clássico e dá voz ao protagonismo da mulher. A montagem estreia em ambiente virtual com apresentações gratuitas até 27 de abril, às 20h, no canal do YouTube da Damas Produções. 

Nesta adaptação, as artistas Ana Paula Lopez, Camila Couto e Sol Faganello, juntamente com a diretora Silvana Garcia, realizaram um estudo a partir da peça encenada, potencializando as dinâmicas existentes para a linguagem audiovisual.

Em “Senhora X, Senhorita Y”  duas atrizes (Ana Paula Lopez e Sol Faganello), e uma performer sonora (Camila Couto), se lançam em um jogo pelo qual intercambiam diversos papéis, explorando com humor ácido as construções heteronormativas do feminino sugeridas por Strindberg. Indo mais longe: elas desafiam o autor pela exposição de um disparador imprevisto: o corpo lésbico reivindicando o protagonismo da cena.

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Com direção geral e dramaturgia de Silvana Garcia, a versão online, criada pelas artistas da Damas, tem direção audiovisual de Sol Faganello e conta com a direção de movimento de Ana Paula Lopez, dramaturgia sonora de Camila Couto, criação de luz de Sarah Salgado e direção de fotografia de Vitor Vieira.

 A adaptação audiovisual também manteve a linguagem metateatral presente em “Senhora X, Senhorita Y” e assume o set de gravação instalado na casa das artistas. As luzes, a coxia, a equipe audiovisual são assumidas ao longo da encenação, trazendo o movimento que acontece no espetáculo: elas são as personagens e estão em um café, elas são as atrizes e estão em suas casas, que agora é também set, interagindo pela rede.

Na peça “A Mais Forte”, Strindberg põe em confronto duas mulheres, a Senhora X e a Senhorita Y, porém dá voz apenas a uma delas, à mulher do lar, àquela que, mesmo supostamente traída, sai vitoriosa porque tem a seu favor a solidez da instituição do casamento; é ela quem serve e, ao mesmo tempo, domina o marido. Ambas são atrizes, porém, no texto, limitam-se aos papéis de mulher e amante, e só existem porque estão referidas a um homem.

Por ser um coletivo de mulheres, com convicção feminista, a Damas Produções se dispôs em confronto com a ficção strindberguiana. “Senhora X, Senhorita Y”  não é a peça de Strindberg, e sim de uma paráfrase dela. A situação é similar, um mesmo cenário, uma mesma situação de início, mas, desta vez, Senhorita Y tem voz. Senhora X e Senhorita Y são duas mulheres que se opõem e se combinam, trocam constantemente de papéis, atravessando o tempo, falando delas na intimidade, mas também delas no mundo.

Neste trabalho as artistas se debruçaram sobre alguns dos papéis que a mulher desempenha na sociedade contemporânea, investigando aspectos muitas vezes contraditórios de sua inserção social e política, de seus investimentos afetivos e dos agenciamentos simbólicos que a cercam. O foco é a construção do feminino – o feminino domesticado, subalterno – do modo como ele se revela por meio da relação entre mulheres.

Foto: Maria Fanchin.

Ficha Técnica

Direção Geral e Dramaturgia: Silvana Garcia.  Texto e Roteiro: Silvana Garcia, Ana Paula Lopez e Sol Faganello. Elenco: Ana Paula Lopez, Sol Faganello e Camila Couto.

Serviço

Transmissão on-line.

Datas: Até 27/4. Quinta a terça, 20h.

Ingressos: Grátis.

Classificação: 14 anos.

YouTube: Canal Damas Produções.

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