O Portal da Arte Brasileira

Espetáculo “Cravo” estreia on-line em 3 de setembro

0 17

O espetáculo de dança “Cravo” estreia em 3 de setembro e fica em cartaz on-line até o dia 26 do mesmo mês. A temporada poderá ser acompanhada através do canal do Sesc RJ no YouTube. O trabalho foi originalmente pensado para ser filmado (e não executado e documentado, como de praxe), beneficiando-se conscientemente de recursos cinematográficos como o uso do corte, do foco, dos planos e quadros. A proposta une a trilha sonora do pianista Sacha Amback à iluminação de Paulo César Medeiros, alinhadas à direção de fotografia de Fabrício Mota. O filme tem direção do cineasta Cavi Borges.

A pesquisa de movimento e a sua relação com o espaço dão as tônica nas trajetórias dessas duas artistas. Algo construído em experimentações cujos resultados contaram com o olhar de grandes nomes, como Angel Vianna (com quem Poppe trabalhou anos a fio), João Saldanha (com quem ambas trabalharam) e, no caso de Samy, o diretor teatral Enrique Diaz. Cada novo trabalho parte de uma premissa aberta também a outras linguagens artísticas. O cinema, por exemplo. “Cravo” tem na sua gênese influências e sugestões oriundas de clássicos da sétima arte, assim como dos diretores que lhe deram vida. Alguns exemplos são “Martha”(1973), do alemão Fassbinder (1945-1982) e “Repulsa ao sexo” (1965), de Roman Polanski, entre outros. Uma inspiração ligada ao cinema, mas que abarca também a fotografia, é a do norte-americano Man Ray (1890-1976), que revolucionou a relação da câmera com o objeto retratado. Outra referência a se considerar é a do dramaturgo irlandês Samuel Becket (1906-1989), cuja peça “Dias felizes” também pautou a proposta do espetáculo.

O roteiro é dividido em oito movimentos – ou quadros. O primeiro é o prólogo, seguido pelas demais cenas, uma vez que o resultado é uma obra audiovisual. Quatro deles são recorrentes. São os refrões, como denominados pelas artistas. No caso deles, outra referência faz-se presente: a da ópera. À trilha musical insere-se a “Cavalgada das Valquírias”, como ficou conhecido o tema que fecha o segundo ato e abre o terceiro da ópera “Die Valkure”, de Wagner.

Post Patrocinado

Nesses refrões, as bailarinas seguem um determinado trajeto, vindo do fundo ao proscênio,  ao mesmo tempo em que executam movimentos marcados, não se repetindo nos demais refrões. As demais cenas são compostas por solos e duos. No caso desses últimos,  o público tem diante dos olhos quadros nos quais os gestos conversam, provocando também contradições entre eles. Com a entrada da trilha e da iluminação, o resultado é algo vívido e visceral.

Foto: Renato Mangolin.

Serviço

Transmissão on-line.

Datas: 3 a 26/9. 19h.

Ingressos: Grátis.

Classificação: 14 anos.

YouTube: Canal Sesc RJ.

você pode gostar também
Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

X