Élle de Bernardini apresenta mostra inédita na Galeria Kogan Amaro

A artista Élle de Bernardini transita entre a dança e as artes visuais e retrata o corpo inteiro, trans, vivo e pulsante. Por meio de telas, pinturas, esculturas, foto performances e desenhos, ela faz alusão às questões da sexualidade que confrontam os padrões que circundam o mundo contemporâneo e busca resgatar e reconstruir as narrativas esquecidas, apagadas e silenciadas das minorias de gênero.

O público poderá conhecer uma seleção inédita destes trabalhos na mostra Nem tudo que reluz é ouro, em cartaz a partir de 10 de setembro na Galeria Kogan Amaro, com curadoria de Ana Carolina Ralston.

Bernardini traz aos seus trabalhos dor e alegria, beleza e horror, emoções que remetem aos limites que atravessamos na vida. O rosa e o azul surgem em suas criações como elementos simbólicos para borrar as margens entre o feminino e o masculino, o certo e o errado e as convenções, de modo geral, da sociedade normativa. Élle faz uso de materiais diversos, como plásticos, pvc, tecidos macios, frios e quentes ou ásperos para aludir à uma beleza que incomoda. São recortados dando formas às partes do corpo sexual, são agradáveis ao olhar, mas também desconfortáveis ao se aproximar no desejo de tocá-los.

Em meio ao período de isolamento social imposto pela pandemia do Covid-19, Bernardini percebeu-se por um momento suspensa das pautas relativas à sexualidade e questões de gênero no mundo da arte. Isolar-se a levou a um contato mais intenso e criativo com sua obra. Decidiu, a partir disto, concentrar sua pesquisa no processo formal das relações entre as cores rosa e azul, escolhendo formatos e dimensões que cabiam em sua casa.

Sobre Élle de Bernardini

Nascida em Itaqui, Rio Grande do Sul, em 1991, vive e trabalha em São Paulo, transita entre a dança e as artes visuais, além de ser uma mulher trans, interessada em resgatar e reconstruir as narrativas esquecidas, apagadas e silenciadas das minorias de gênero.

Formada em balé clássico pela Royal Academy of Dance, em Londres, e pelos mestres japoneses de Butô, Yoshito Ohno e Tadashi Endo. A artista foi a única mulher transexual a ser aceita para estudar balé clássico na escola inglesa, onde retornou em 2011 e 2012, para a conclusão de sua formação, de 13 anos de balé. Portanto, a linguagem artística de Élle de Bernardini começou a ser modificada em 2013, ano em que ela se autodenominou como artista visual.

O trabalho de Élle de Bernardini já foi exposto em diversas instituições nacionais, como o MASP, Pinacoteca de São Paulo, Museu de Arte do Rio/ MAR, Museu de Arte do Rio Grande do Sul, Museu de Arte Contemporânea de Niterói.

Serviço

Local: Galeria Kogan Amaro – Alameda Franca, 1054 – Jardim Paulista – São Paulo. Abertura:10/9. Quinta, 11h às 15h. (Mediante agendamento). Visitação: 10/9 a 31/10. Segunda a sexta, 11h às 19h. Sábados, 11h às 15h. Ingressos: Grátis.

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