O Portal da Arte Brasileira

Antônima Cia. de Dança estreia “Desvio para o Azul” em 11 de junho

0 23

Com 12 anos de pesquisa em dança e artes do corpo, a Antônima Cia. de Dança investiga a noção de tempo a partir de diferentes percepções e conhecimentos em seu novo trabalho, intitulado Desvio para o Azul. O espetáculo passa pela Fábrica de Cultura Vila Curuçá, pelo Centro Cultural da Juventude e pelo Teatro João Caetano entre 11 e 26 de junho. A obra tem direção de Adriana Nunes, que também está em cena ao lado das outras intérpretes-criadoras Camila Miranda, Isadora Prata e Naíra Gascon.

“Desvio para o Azul” é uma é uma obra sobre o tempo, um olhar para as diferentes formas de senti-lo e uma tentativa de subvertê-lo. Para lidar com uma questão tão complexa, a companhia investiga esse conceito a partir de várias áreas do conhecimento, como a física, a geografia, a literatura e a filosofia.

O próprio nome do trabalho é uma referência a um conceito da física que explica como uma duração é percebida de acordo com a distância e como o tempo está diretamente ligado ao conceito de energia/movimento, e intrinsecamente ligado à ideia de espaço.

Post Patrocinado

Outra metodologia importante usada pelo grupo nesse processo é o aprofundamento da escuta. As artistas apostaram em experiências de trocas e partilhas com outros artistas, pequenas entrevistas sobre como anda a relação das pessoas com seu tempo e deambulações pela cidade de São Paulo.

Um dos pontos de partida para esse processo foi o livro “Walkscapes – O Caminhar como Prática Estética” (2002), do autor italiano Francesco Careri, que inspirou a companhia a realizar longas caminhadas por São Paulo. A partir dessas derivas pela cidade, as criadoras começaram a se questionar sobre como se colocar numa relação com o tempo diferente da que se tem cotidianamente, como diminuir simbolicamente as distâncias entre as periferias e o centro da cidade; e como estabelecer vínculos entre seus corpos e os espaços percorridos.

A partir de todas essas pesquisas, a companhia passou a refletir: “O tempo é relativo, é curto, é metafórico, é histórico, está em falta, está sobrando, é inevitável, é acontecimento, é memória, é projeção e pode ser sintoma de desigualdade. Como é a relação com o tempo de um morador da periferia, que gasta muitas horas em deslocamentos, em comparação a um morador do centro, que mora perto do trabalho?”.

Assim, na dança, antes de propor todas essas reflexões, as intérpretes começam convidando o espectador a se colocar num outro tempo, longe da pressa e da efemeridade, para então mergulhar no universo da memória, nas projeções para o futuro e nas reflexões sobre como estamos vivendo o tempo do presente.

A Antônima Cia. de Dança desenvolve, desde 2010, sua pesquisa de composição em dança que pretende investigar diversas formas de produzir conteúdo cênico, passando pela coreografia, pelas partituras e pela improvisação, sempre em diálogo com os demais artistas envolvidos nos projetos, sejam do campo da poesia, máscaras, vídeo, música, figurino ou iluminação. Entre os trabalhos do grupo, estão “Tampoco Hay Casa” (2021) e “No Hay Tema” (2020), ambos em parceria com a artista sonora Mariana Carvalho; “Gume” (2019), realizado junto com a Spio Orquestra; e a Trilogia do Inevitável (2013-2018), composta pelas peças “Isso Ainda Não nos Leva a Nada” (2018), com textos de Bruno Brum, “História das Demolições” (2013), com textos de Fabrício Corsaletti, e “Só” (2015), com textos de Noemi Jaffe.

O projeto foi contemplado pelo Edital de Apoio a Projetos Culturais Descentralizados de Múltiplas Linguagens, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Foto: Antônima Cia de Dança

Ficha Técnica

Direção: Adriana Nunes. Trilha Sonora: Lello Bezerra. Iluminação: Lúcia Galvão. Figurino: Anna Luiza Marques e Odete Ezequiel. Intérpretes Criadoras: Adriana Nunes, Camila Miranda, Isadora Prata e Naíra Gascon

Serviço

Local: Fábrica de Cultura Vila Curuçá – Rua Pedra Dourada, 65 – Jardim Robru – São Paulo. Data: 11/6. Sábado, 15h.  

Local: CCJ – Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso – Avenida Dep. Emílio Carlos, 3641 – Vila dos Andrades – São Paulo. Data: 18 e 19/6. Sábado e domingo, 19h30.  

Local: Teatro João Caetano – Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino – São Paulo. Data: 24 a 26/6. Sexta e sábado, 21h. Domingo, 19h.

Classificação: Livre.

Ingressos: Grátis. Retirar 1h antes.

você pode gostar também
Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

AVISO!

Em virtude da pandemia de Covid-19, alguns eventos foram cancelados ou sofreram alterações. Centros Culturais ou espaços de exposição também fecharam.

Consulte sempre antes de se direcionar a um evento presencial.

X