Casa Roberto Marinho abre individual de Maria Martins

Uma das primeiras obras a capturar o olhar do visitante, na Casa Roberto Marinho, é a escultura em bronze O implacável (1944), da mineira Maria Martins (1894-1973), instaurada diante da fachada do casarão neocolonial, no Cosme Velho. A partir do dia 13 de março, o público terá a oportunidade de se aproximar da poética da primeira escultora a explorar o tema da sexualidade no Brasil. Ocupará o térreo do instituto uma mostra com dez gravuras e documentos doados à instituição pelo casal Heloísa e Carlos Luiz Martins Pereira e Souza, ele sobrinho-neto da artista.

A radicalidade da obra pouco convencional de Maria Martins estará ao alcance dos visitantes de 13 de março a 13 de junho de 2021, na Casa Roberto Marinho, sempre de terça a sábado, das 12h às 18h. Em virtude da pandemia de Covid-19, a instituição funciona sob agendamento on-line através do site.

A individual reunirá também as esculturas Glebe-ailes (1944) e Insônia infinita da terra (1954), que integram o acervo permanente da Casa, além de cartas e reproduções de livros e fotos. Em paralelo à mostra, o auditório do instituto exibirá Não esqueça que eu venho dos trópicos, documentário de Elisa Gomes sobre a vida e a obra de MM.

Maria de Lourdes Martins Pereira e Souza, nascida em 1894, em Campanha (MG), marcou presença na história da arte moderna. Escultora, desenhista, gravadora e escritora, teve seu trabalho reconhecido tardiamente no Brasil. Grande parte de sua carreira foi desenvolvida no exterior, enquanto acompanhava as atividades de seu segundo marido, o embaixador Carlos Martins, em diversas partes do mundo.

Iniciou-se na escultura em 1926, na França, quando começou a trabalhar com madeira. Mais tarde, já vivendo no Japão, aprendeu a modelar em terracota, mármore e cera perdida. Nos anos 1930, aperfeiçoou-se na Bélgica, com Oscar Jespers (1887 – 1970), passando a utilizar o bronze, que adotou como principal suporte de sua obra.

Em 1939, foi viver com o marido em Nova Iorque onde fixou ateliê, estudou com o escultor lituano Jacques Lipchitz (1891 – 1973) e realizou a primeira individual, em 1941. No mesmo período, conheceu André Breton (1896 – 1966), autor do Manifesto Surrealista, que a apresentou a artistas ligados ao surrealismo e ao dadaísmo, como Max Ernst (1891 – 1976) e Marcel Duchamp (1887 – 1968). Com este último Maria manteve um relacionamento amoroso e trocas artísticas. Ela posou de modelo para a última obra de Duchamp, Étant donnés, e para a capa do catálogo Prière de toucher. A escultora foi a única brasileira a participar do movimento surrealista europeu. Em 1948, mudou-se para Paris e seu ateliê tornou-se ponto de encontro de intelectuais e artistas.

Quando retornou definitivamente ao Brasil, em 1950, sua obra foi tratada com certa hostilidade pela crítica, que a considerava muito próxima do surrealismo e chegou a classificá-la como obscena. Em sua última individual, em 1956, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Maria publicou um texto defendendo a liberdade de expressão artística. Na mesma década, colaborou ativamente na organização das primeiras Bienais Internacionais de São Paulo e na fundação do MAM Rio.

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Como escritora, assinou uma coluna no Correio da Manhã e publicou, entre outros livros, A Índia e o Mundo Novo, A Ásia Maior e o Planeta China.

Em 1968, em entrevista concedida à grande escritora Clarice Lispector (1920-1977), declarou: “Um dia me deu vontade de talhar madeira e saiu um objeto que eu amei. E depois desse dia me entreguei de corpo e alma à escultura. Primeiro, em terracota, depois mármore, depois cera perdida, que não tem limitações”. 

Foto: Cadu Pilotto.

Serviço

Local: Instituto Casa Roberto Marinho – Rua Cosme Velho, 1105 – Rio de Janeiro.

Abertura pública: 13 e 14/3. Sexta e sábado, 12h.

Visitação: Até 13/6/2021. Terça a domingo, 12h às 18h.

Ingressos: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia-entrada). Quartas a entrada é gratuita.

Link para ingressos:http://www.casarobertomarinho.org.br

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