[COLUNAS] 11 Selvagens para acelerar batimentos cardíacos e reflexões

[COLUNAS] 11 Selvagens para acelerar batimentos cardíacos e reflexões

Anna Galli, Bianca Lopresti, Gabriel Gualtieri, Isabella Melo, Jonatan Justolin, Gustavo Bricks, Mariana Marinho, Mariana Beda, Rafael Carvalho, Renan Botelho e Vítor diCastro em 11 situações limites no palco do teatro Pequeno Ato (Crédito: Facebook – 11Selvagens)

Eu poderia ter me sentado em qualquer uma das 40 cadeiras deste ringue teatral. Mas não. Eu me sentei justo ao lado dos atores da primeira cena. “Já começou a peça?”, perguntou minha vizinha. Segue-se, a partir daí, um emaranhado de 11 cenas interpretadas por 11 jovens atores – Anna Galli, Bianca Lopresti, Gabriel Gualtieri, Isabella Melo, Jonatan Justolin, Gustavo Bricks, Mariana Marinho, Mariana Beda, Rafael Carvalho, Renan Botelho e Vítor diCastro. Todos com sangue nos olhos para tratar de abuso sexual, violência em estádios de futebol, alienação e outros imbróglios que mexem com o meu, o seu, o nosso limite. Em cartaz no teatro Pequeno Ato, 11 Selvagens combina trilha sonora e iluminação ao tocar em feridas.

O tempo é curto entre um episódio e outro. No entanto, há intensidade. Cada situação trava uma batalha interna com o público. Seja no momento em que o chefe convoca seus funcionários para que um deles “se desligue” espontaneamente da empresa para evitar a falência do negócio, ou no momento em que uma sala de cinema vira palco de um episódio de violência sexual que nos conduz ao ápice de raiva e nojo. Como meros observadores, temos a plena sensação de impotência.

Se me chamarem, eu subo e grito por ela e com ela. Não vou aceitar!

O fato é que não nos convocam para entrar no ringue. Talvez por isso, mantemos forçosamente uma emoção que, sim, deveria transbordar em nosso dia a dia sempre que houvesse a perda de respeito, o infringir da lei, a transposição de limites. Fora daquele teatro, quantas vezes pensamos e não fizemos nada a respeito?

Da arquibancada, assistimos a um jogo de futebol, enquanto torcedores mimetizam ufanismo, mas, na prática, incitam o ódio e o terror aos adversários. Quaisquer que sejam. Em outro momento, sofremos agressões verbais de um namorado machista. Mastigamos orgulho a seco até explodirmos uma raiva elevada à décima potência sobre ele.

Pronto. Me vinguei!

A questão é que não há vãos que permitam fôlego à platéia de 11 Selvagens. Somos colocados para sentir em detrimento de racionalizar. A partir daí, sublimamos desejos e angústias para, então, nos permitir ser humanos… ao também ser selvagens.

SERVIÇO 
11 Selvagens
De 06/04 a 29/04,  sexta às 21h, e sábado e domingo às 19h.
Local: Teatro de Arena, Rua Doutor Teodoro Baima, 94 – República.
Ingressos: R$40 e $20
Classificação: 16 anos
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