Pichadores questionam representação da prática

Pichadores na galeria Crivo (Créditos: Divulgação/Pixo Manifesto Escrito)

 

Na tarde de terça-feira (21/06), as imagens do fotógrafo Choque, em cartaz na Galeria Crivo, na exposição A3, foram pichadas. O grupo que realizou a intervenção integra o movimento Pixo Manifesto Escrito, coletivo nacional de pichadores que discute temas como corrupção e injustiças sociais, e desaprova o trabalho do artista. 

A ação durou aproximadamente dez minutos. O grupo era composto por cinco pessoas. Quatro delas estavam encapuzadas e munidas de spray. O quinto integrante, com rosto descoberto, documentava o momento com auxílio de uma câmera. " A rua não precisa de você", "Não precisa de porta-voz" e "Viva o Pixo" foram algumas das frases pichadas.

No início da ação, os pichadores disseram ao funcionário da galeria que o ação não tinha relação com a galeria e com os outros artistas que também compunham a exposição. Tanto que obras das também fotógrafas Julieta Bacchini e Vivi Bacco ficaram intactas.

"O problema deles era com o Choque. Eles destruíram todas obras dele. Pintaram em cima, e, depois, saíram correndo", revelou JP Possos, proprietário da Galeria Crivo.

 

Pichadores fazem inscrições nas obras de Choque e na parede (Créditos: Divulgação/Pixo Manifesto Escrito)

 

Em nota ao site Vice, o coletivo de pichadores reiterou a crítica ao fotógrafo e  confirmou que a intervenção foi uma "retaliação a todo uso indevido de imagens que o Choque vem fazendo dos pixadores de São Paulo".

"Ele não cola em lugar nenhum. Ninguém aprova o que ele faz", revelou um dos integrantes do grupo.

O desentendimento entre o grupo e o artista é antigo. Teve início em 2010, durante a realização da Bienal de Artes de São Paulo. Uma das obras comissionadas pelo evento era um vídeo, produzido por Choque (veja abaixo o curta-metragem). Nele, havia depoimentos e imagens do pichador conhecido como Guigo, morto durante um rolê de pichação, ao tentar escalar um prédio.

 Os pichadores não gostaram da obra e pediram a retirada do trabalho.  Choque não concordou. "O vídeo não mostra sangue, não mostra a queda do garoto, não tem ele morto. Na verdade, minha intenção era fazer uma homenagem",  justifica.

"Ele morreu fazendo o que mais amava. Eu fiz questão de deixar isso no vídeo. No final, tem ele falando 'Eu adoro a pichação. A pichação e as meninas. Quando eu estou estressado, minha válvula de escape é pichar", afirma Choque. 

Quando perguntado sobre a intervenção, o fotógrafo é enfático: "Eu acho um ataque baixo. É censura, não é diálogo artístico. É uma destruição, está cheio de palavras de ódio. Tem pouco da escrita dele. É fascista". Mas ao ser indagado sobre a identidade dos pichadores, se esquiva: "Não tenho nada a dizer sobre isso". O coletivo Pixo Manifesto Escrito foi procurado. A página do grupo foi removida do Facebook.

 

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