Mostra une trilhas para ouvir e percorrer na Grécia e Argentina

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugura dia 8 de abril a exposição Trilha para 2 lugares e trilha para 2 lugares, com trabalho homônimo inédito de Nelson Felix – a quarta e última parte da série O Método Poético para Descontrole de Localidade, iniciada em 1984.

A obra reúne a vivência do artista em dois locais distintos: Citera, uma ilha na Grécia; e a cidade de Santa Rosa, no pampa argentino. A palavra trilha, repetida duas vezes no título da exposição, tem duplo significado: o percurso percorrido pelo artista e a presença sonora.

O trabalho de Nelson Felix torna assim o museu dúbio instrumento: musical e uma espécie de bússola, formalizada na direção que indica o cabo de aço no espaço expositivo, a mesma percorrida pelo artista no globo terrestre.

 
Trechos dos vídeos sobre "Trilha para 2 lugares e trilha para 2 lugares", na ilha de Citera (Créditos: Divulgação / Guilherme Begué e Cristiano Burlan) 

 

A série O Método Poético para Descontrole de Localidade sempre teve na poesia seu ponto de partida. A primeira parte, 4 cantos, realizada em Portugal entre 2007 e 2008, alude à forma retangular do contorno geográfico do país. Em um caminhão Munck, carregado com quatro blocos de pedra - de seis a oito toneladas cada -, o artista percorre os quatro extremos do seu território.

Um canto para onde não há canto, feito para a cidade de Brasília, entre os anos de 2009 e 2011, aborda o centro como um local ausente ou onipresente. O centro está onde está o interesse, e não mais o lugar geométrico. Partindo do princípio urbanístico de que essa cidade “central” não tem esquinas o artista traça um retângulo, que envolve os dois eixos do plano diretor e assim constrói quatro cantos ao traçado. O artista leva para cada um desses locais um vaso com a inscrição de uma das estrofes do poema “La voce”, de Cesare Pavese, onde se encontra cultivada uma planta sensitiva, conhecida como dormideira.

A terceira parte, Verso, feita entre 2011e 2013, nasce da observação de que a cidade de São Paulo, o principal centro brasileiro, encontra-se equidistante e sobre uma linha imaginária que liga duas pequenas ilhas, arquipélago de San Juan, no Oceano Pacífico, e Ascensão, no Atlântico. O artista viaja pelas ilhas e nelas, coloca-se numa direção em que o olhar para o horizonte desse a volta na circunferência do planeta até alcançar São Paulo.

 

Trechos dos vídeos sobre "Trilha para 2 lugares e trilha para 2 lugares" (Créditos: Divulgação / Guilherme Begué e Cristiano Burlan) 

 

Para a quarta parte, Trilha pra 2 lugares e trilha para 2 lugares, Nelson Felix lançou sobre um mapa-múndi um dado com o número seis em todas as faces, em data e hora estabelecidas, e em local incidental do curso de uma estrada. Daí surgiram os dois locais-eixo do trabalho: Citera (ilha grega) e Santa Rosa (pampa argentino).  

Em Citera, lançou o dado ao mar, em Santa Rosa, o enterrou. Nesses lugares, o artista desenhou compulsivamente, durante várias horas, impregnado do ambiente e ao mesmo tempo deixando sua marca nele, como se fundisse à paisagem.

 
 
Trechos dos vídeos sobre "Trilha para 2 lugares e trilha para 2 lugares" (Créditos: Divulgação / Guilherme Begué e Cristiano Burlan) 

 

A exposição acontece de 8 de abril a 4 de junho, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. 

O MAM fica na Avenida Infante Dom Henrique, número 85, e funciona de terça a sexta, das 12h às 18h; aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 18h.

Os ingressos custam R$ 14 (inteira) e R$ 7 (meia-entrada). Para mais informações, acesse o site do MAM - Rio.

 
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