Kelsey e Rémy Bennet reinventam galeria através da força feminina

(Créditos: Divulgação/Adam Lehrer)

 

A Galeria Melissa acabou de reabrir em Nova York com um novo conceito - e há dois nomes por trás desse projeto: as irmãs Kelsey e Rémy Bennet. As duas são curadoras e artistas e foram selecionadas pela marca para selecionar as obras que seriam expostas na abertura.

Localizada no Soho, mais precisamente na Broadway, a nova Galeria Melissa foi projetada por Muti Randolph, e a reabertura apresenta obras que abordam o empoderamento feminino, assinadas pelas artistas Signe Pierce e Sam Cannon. A galeria deve funcione como um espaço colaborativo para novos nomes da cena cultural de Nova York.

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Falamos com Rémy Bennet sobre a nova Galeria Melissa, trabalhar com a irmã e sobre seu novo projeto: uma série de documentários sobre artistas mulheres. Confira a entrevista a seguir:

 

Como surgiu o convite para você e a sua irmã serem curadoras da loja da Melissa em Nova York? 

Eu e a minha irmã Kelsey somos artistas e curadoras. A Melissa estava trabalhando em colaboração com criadores para lançar um projeto de galeria em Nova York, e pediu para que nós escolhêssemos quais artistas achávamos que eram os melhores para o lançamento. Então escolhemos duas artistas: Signe Pierce e Sam Cannon. Muti Randolph desenvolveu a arquitetura da loja com a ideia que os artistas de Nova York pudessem vir e criar em uma experiência imersiva, que pudesse funcionar em conjunto, com as idéias de design dele. E isso meio que encapsularia o espírito da comunidade de arte em Nova York no momento, especialmente pela comunidade dirigida pelas mulheres.

Um dos conceitos da nova loja é o empoderamento feminino. Eu gostaria de saber o que é o “Girl Power” para você e como você tenta alcançar isso.

Sim. Nós relacionamos [girl power] a ter uma voz forte, e isso é sobre individualidade, mas também transcender essas binariedades sabe? Transcender essas binariedades de gêneros, “normas” de gêneros, algo como ser um humanista e individualista que vive fora das restrições da sociedade, e as normas de gênero.

O mundo da arte, historicamente, tem sido dominado por homens brancos, e por isso a destruição vem acontecendo por tanto tempo.

Então esperançosamente isso está mudando porque, muito dos trabalhos que eu tenho visto, e que são muito poderosos e interessantes para mim, acontece de serem feitos por mulheres. Não é como se nós sempre buscássemos artistas mulheres por causa disso, é realmente porque essas são as artes que eu tenho achado mais interessantes e eficientes no momento.

Eu e a minha irmã temos feito algumas apresentações de artistas mulheres, e a visão delas é muito forte e energética, irreverente e inteligente. Então tem sido uma honra trabalhar com tantas mulheres incríveis, que trazem tanta inteligência em tudo que elas fazem.

E cada colaboração que nós realizamos com um artista continua, não para simplesmente em algum lugar. Essas artistas que nós gostamos, como a Sam Cannon, nós conhecemos anos atrás porque eu era jornalista e estava escrevendo uma matéria sobre ela, e a minha irmã a conheceu como fotógrafa, e nós colaboramos em artigos, discussões, colocamos o trabalho dela em exibições... Então o relacionamento que nós temos continuou, e com todas as pessoas que nós trabalhamos. Não é algo que acontece uma vez, todos esses relacionamentos crescem e nós podemos nos juntar, fazer brainstorm e nos apoiar para nos ajudar, e poder honrar o trabalho uma da outra. Então, isso tem sido realmente incrível fazer parte disso.

 

Rémy e Kelsey Bennet (Créditos: Divulgação/Charlie Rubin)

 

E como você começou a trabalhar com a sua irmã? Vocês sempre tiveram vontade de trabalhar juntas?

Bem, nós só temos catorze meses de diferença, então desde que pequenas que somos inseparáveis. Como nossa diferença de idade era pequena, fomos capazes de nos entreter e nos cuidar. Então naturalmente nós fizemos projetos juntas porque era uma parte natural da nossa dinâmica. A palavra “trabalho” é um pouco engraçada porque é arte, e é o que nós amamos, uma energia criativa que sempre foi uma parte muita grande das nossas vidas, então nós não vemos como trabalho.

Como acontece o processo criativo de vocês? Vocês marcam reuniões para projetos?

Estamos juntas grande parte do tempo (risos). Não moramos juntas, mas no mesmo bairro, East Village em Nova York. Isso facilita as coisas e nós reconhecemos as nossas forças. É como qualquer equipe que você tem, se você produz algo, geralmente requer mais de uma pessoa para executar. Nós temos uma sensibilidade muito parecida, então quando se trata da logística, é mais fácil de realizar porque a linha de pensamento é a mesma, a confiança é a mesma, e cada projeto é muito difícil, mas nós conversamos o tempo todo. Estamos entrando no cinema e estamos conversando, em uma reunião e estamos conversando, no aeroporto e conversando (risos). Ontem estávamos no restaurante tipo “Meu Deus, não vamos conversar sobre nada. Nada de trabalhos, nada de projetos”.

É difícil porque não há linha que separe o trabalho e o pessoal, o que também é legal.

Eu vi o ensaio fotográfico “They’re Here” (Inspirado no filme Poltergesit – O fenômeno, que vocês fizeram, e eu adorei...

Oh (surpresa). Obrigada!

E eu gostaria de saber quais as suas principais inspirações quando se trata de fotografia

A Kelsey é fotógrafa, e eu sou mais como uma diretora, faço a produção do design. Nós duas gostamos de criar coletivamente um universo, e muita das nossas inspirações são cinematográficas. Muito vem dos filmes que nós amávamos quando crianças, e como a maioria delas, nós assistíamos aos filmes de novo, e de novo, um milhão de vezes e tentávamos recriar o universo para poder brincar nele. Eu acho que isso desenvolveu uma sensibilidade em nós. Tentamos criar dentro de uma moldura, uma fotografia que conte uma história que tenha um tom cinematográfico, como o ensaio de Poltergeist que era como uma obsessão infantil nossa. Eu absolutamente amo aquele filme, é com certeza o meu filme favorito de todos os tempos.

Eu acho que ás vezes quando você tem essas obsessões tão profundas, há uma compulsão como artista para recriar aquilo e vive-lo colocando sua própria marca, como um selo. É um amor nosso pelos filmes, e muitos filmes de terror foram muito influenciadores para nós, quando nós crescemos nós assistimos muitos filmes assustadores, David Lynch e Alfred Hitchcock (diretores de cinema). Quando nós éramos pequenas nós assistimos “Os Pássaros” (filme de Hitchcock) provavelmente umas 200 vezes. Então, em vez de filmes infantis, nossos pais nos mostravam esses tipos de filme.

Se você pudesse escolher outro filme para realizar um ensaio fotográfico, qual filme seria?

Na verdade eu venho trabalhando em alguns que eu gostaria de fazer. Há alguns filmes do David Cronenberg que me deram idéias. Eu acho que o legal é que nós duas entendemos nossas compulsões e nós podemos realizá-las, o que é muito divertido.

Além da Melissa, você a sua irmã tem projetos para o futuro?

Sim. Nós estamos trabalhando em uma série de documentários, que no momento estamos na metade. Estamos filmando, dirigindo e produzindo sete curta-documentários sobre mulheres artistas nos Estados Unidos. E tem sido incrível, nós acabamos de voltar do Mississippi, e estávamos gravando esta artista incrível de 71 anos que é fotógrafa, e temos feito isso sem parar. Tem sido incrível aprender com estas mulheres, conhecê-las e entender suas criações. Temos feito isso desde fevereiro e devemos terminar em setembro.

A série será lançada ainda este ano?

Sim! Nós vamos provavelmente começar a liberar os vídeos em outubro. Estamos trabalhando com uma produção chamada The Front, que é feminista e formada apenas por mulheres. Eles são novos e estão financiando o nosso filme, então vamos liberar em breve.

  •  (Crédito: Divulgação)
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