Homens podem fazer crochê?

O artista plástico Thiago Rezende acha que sim. Formado na Faculdade Paulista de Artes (FPA), ele é o criador do projeto Homem na Agulha.

A iniciativa é uma espécie de guarda-chuva que reúne a produção artística de Thiago e as oficinas sobre as técnicas, que ele ministra para públicos variados.

Sua aproximação do tricô e do crochê ocorreu em 2012, quando viu uma exposição no Sesc Pompéia. Ele deixou-se envolver pelos fios e agulhas e redirecionou seu trabalho a partir daí.

 

Thiago, suas linhas e agulhas no Chile (Créditos: Jorge Guzmán)

 

No início, ele conta, a questão de gênero não se fazia tão presente. O tema se tornou mais latente quando começou a ministrar workshops e percebeu olhares de estranhamento.

+ Arnaldo Antunes apresenta novo DVD com quatro shows

"A referência que tinha era da minha avó fazendo crochê. Para mim, era algo muito ligado ao universo feminino. Quando comecei a fazer, me senti um pouco estranho. Logo, percebi que era uma grande bobagem. Tipo de coisa que a gente reproduz, mas que a gente não pára para pensar de onde vem", recorda.

+ Exposição na FAAP reverencia moda brasileira contemporânea

"Depois, acabei me deparando com as reações externas. Nunca sofri preconceito, mas via que as pessoas olhavam surpresas. 'Um homem barbudo fazendo crochê?!'. O que eu fazia era sempre visto pelo lado exótico".

+ Saiba quem fez e para quê serve as estantes nas estações do metrô

 

Thiago não cede ao preconceito, faz tricô e crochê onde deseja (Créditos: Reprodução/ Facebook)

 

Somado a esse debate, tem também a questão geracional, o pensamento de que tricô e crochê são atividades exclusivas para senhoras que tem sessenta anos de idade ou mais.

"Minha mãe mesmo me disse uma vez, não tenho idade para fazer crochê. Só quando você tem o título de avó, que parece, está autorizada a fazer. Hoje, a coisa mudou. Tem grupos de mulheres jovens fazendo, o que é muito legal. A técnica é a mesma, mas o repertório de quem está fazendo é diferente. Também muda o uso das cores e do material".

 

Tapete criado pelo artista plástico (Créditos: Reprodução/ Facebook)

 

A experimentação é uma das marcas do trabalho de Thiago. Primeiro, ele decidiu trabalhar com linhas mais grossas. Depois, criou agulhas gigantes que servissem ao manuseio dos fios mais robustos.

"Minhas escolhas têm a ver com a linguagem, mas também com a ansiedade. Quando uso fios mais grossos, minha produção ganha uma unidade e também posso ver uma peça sendo construída rapidamente. Se você usa um fio mais fininho, isso, não acontece, vai levar uma semana."

 

As agulhas gigantes criadas pelo artista (Créditos: Reprodução/ Facebook)

 

Em 2017, Thiago segue com a produção de objetos e workshops. Acompanhe o trabalho do artista em: www.facebook.com/homemnaagulha

Comentários
Escola Entrópica no Instituto Tomie Ohtake Museu de Arte Moderna de São Paulo