Exposição Queermuseu é fechada em Porto Alegre após protestos

Após visitantes e internautas acusarem a mostra Queermuseu de não respeitar a fé alheia e fazer apologia à pedofilia e zoofilia, o Santander Cultural optou por antecipar o fim da exposição, marcado para 8 de outubro. 

A opção pelo cancelamento, justificada em nota oficial (veja abaixo), causou estranheza no meio artístico, já que a diversidade de gênero e orientação sexual é uma bandeira de muitos artistas, além de tema que tem ocupado espaço relevante em discussões.

 

"Nos últimos dias, recebemos diversas manifestações críticas sobre a exposição Queermuseu - Cartografias da diferença na Arte Brasileira. Pedimos sinceras desculpas a todos os que se sentiram ofendidos por alguma obra que fazia parte da mostra.

O objetivo do Santander Cultural é incentivar as artes e promover o debate sobre as grandes questões do mundo contemporâneo, e não gerar qualquer tipo de desrespeito e discórdia. Nosso papel, como um espaço cultural, é dar luz ao trabalho de curadores e artistas brasileiros para gerar reflexão. Sempre fazemos isso sem interferir no conteúdo para preservar a independência dos autores, e essa tem sido a maneira mais eficaz de levar ao público um trabalho inovador e de qualidade.

Desta vez, no entanto, ouvimos as manifestações e entendemos que algumas das obras da exposição Queermuseu desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo. Quando a arte não é capaz de gerar inclusão e reflexão positiva, perde seu propósito maior, que é elevar a condição humana.

O Santander Cultural não chancela um tipo de arte, mas sim a arte na sua pluralidade, alicerçada no profundo respeito que temos por cada indivíduo. Por essa razão, decidimos encerrar a mostra neste domingo, 10/09. Garantimos, no entanto, que seguimos comprometidos com a promoção do debate sobre diversidade e outros grandes temas contemporâneos."

 

Queermuseu, tem a curadoria de Gaudêncio Fidelis, e a participação de cerca de 85 artistas, dentre eles: Leonilson, Flávio de Carvalho, Ligia Clark, Bia Leite, Flávio Cerqueira, Sandro Ka e Yuri Firmeza.

Na exposição, as discussões sobre temas relacionados à Arte coexiste com assuntos que tem a ver com à Teoria Queer. Esses estudos propõem, dentre outras questões, a revisão sobre gêneros ("O que é ser homem, O que é ser mulher?, Quais são as outras categorias além dessas, O que acontece com as pessoas que não se sentem representadas pelo binômio -- masculino e feminino?).

Sobre a identidade e concepção da mostra, Fidelis afirma: “Uma exposição queer, que busca não ditar ou prescrever regras, discute questões relativas à formação do cânone artístico e a constituição da diferença na arte. Para esta plataforma curatorial levei em conta aspectos artísticos, culturais e históricos de cada trabalho”.

Muitos visitantes não concordaram com a proposta, no entanto, e reclamaram no perfil do Santander Cultural. 

 

 

Artistas e admiradores da exposição tem se mobilizado. Para o dia 12 de setembro, em Porto Alegre, preparam um ato pela Liberdade de Expressão Artística e contra a LGBTTFobia. A manifestação está marcada para às 15 horas e 30 minutos na rua Sete de Setembro, no centro histórico da capital gaúcha.

 

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