Conheça a Selva que está tomando conta da rua Augusta

 

(Créditos: Divulgação / Luiz Fernando C Santana)

 

Quinta-feira, 22 horas 30 minutos. Rua Augusta, número 501. Desci do táxi e notei que o neon vermelho que identificava a casa de shows Inferno foi substituído pelo rosa da Selva, o novo espaço da rua mais agitada da noite paulistana.

A festa do dia era Escolhi Esperar, uma brincadeira com religiões que condenam a prática sexual antes do casamento. Por aqui, a crença está na boêmia, o hino é o pop e santos são os drinks.

Freiras circulam pela pista da Selva todas às quintas, flertam com quem passa por elas e dão catuaba na boca de quem se interessar. Montam um confessionário improvisado, mas não para contar os pecados, e sim para cometê-los, fiéis festeiros se beijam e as freiras abençoam, participando da libidinagem.

 

(Créditos: Divulgação / Site da Selva)

 

Do lado de fora, pessoas paradas na porta, apesar do frio. Algumas chegaram pontualmente às 23h. Neste mesmo horário um dos seguranças avisou a quem esperava: a casa está aberta.

Na hostess, Raquel Barbosa, explica para alguns como funciona a festa e os preços para entrada (vip até 1h da manhã, R$ 25 sem nome na lista).

Ela conta que trabalha na porta do local desde 2013. "Quando aqui ainda era o Inferno era muito diferente, o rolê era pesado. Agora dá pra andar sozinha pela rua a noite toda."

Comenta que “de sexta e sábado lota com o público novo da Augusta. De domingo a programação é diferente, para quem vinha pra rua antes, com Rincon Sapiência, por exemplo."

Apesar da casa estar aberta, ninguém entra. Todos aproveitam o vip válido até a 1h para beber na porta até 0h30.

 
As bebidas da Selva custam de R$12 a R$ 40, com drinks temáticos sobre florestas ao redor do mundo. (Créditos: Divulgação)

 

Para entrar, é necessário aguardar em um primeiro espaço tem apenas luzes de neon verde. O segundo espaço é maior, com pé direito alto e escuro. Uma das paredes é coberta por espelhos e um sofá de couro cinza e roxo, vai de uma ponta à outra. Do lado oposto, caixas conferem seus documentos e entregam um cartão, que funciona como ficha.

Finalmente na pista de dança, luzes vermelhas e verdes ofuscam folhas enormes que cobrem as paredes. A barra de pole dance fica ao lado de um vagão abandonado. O bar tem decoração que remete a tendas.

No meio da pista, tem um palco onde fica o DJ. Atrás dele, Selva em neon, agora vermelho, de onde sai uma estrutura luminosa que toma o teto. A música era Drunk in Love, da Beyoncé.

No final da pista ficam os banheiros. Masculino embaixo, feminino subindo as escadas. Um letreiro alerta: Não seja cuzão.

 
(Créditos: Divulgação / Luiz Fernando C Santana)

 

O DJ e também diretor artístico da casa é Jahdiel Ramires. Sobre a proposta do espaço, conta que "a ideia era trazer uma cena nova, fortalecendo a que existe hoje, mas também resgatar o espírito boêmio que a rua tinha há uns anos e que foi se perdendo."

Ao falar do público, afirma que "as pessoas não saem mais para se divertir na noite de São Paulo. Elas vão para festas específicas em casas específicas, mas em poucas noites elas querem sair para curtir."

E continua: "Por exemplo, a gente teve festa emo, show do Jaloo e funk na mesma semana. A gente quer abrir o leque, experimentando as possibilidades, separando as noites por temas. Quarta tem funk, quinta tem hip-hop e pop; sexta e sábado são festas de autoria da casa, e domingo a gente aposta em música brasileira."

 
(Créditos: Divulgação / Luiz Fernando C Santana)
 

Júnior Passini, um dos sócios do espaço, conta que a Selva foi inspirada na cidade. "As pessoas chamam São Paulo de selva de pedra, isso fica claro quando você anda pelo centro. Mas que Selva é essa?”

"Queremos instigar as pessoas a serem habitantes disto. Quem são, afinal? O que fazem e como interagem? Isto é algo que elas mesmas vão descobrindo durante a noite", conclui.

 
(Créditos: Divulgação / Ali Karakas)

 

Ainda que a maioria siga um visual parecido com jeans, camiseta e um casaco amarrado na cintura, é possível notar diferentes identidades. Moderninhos, funkeiros, juventude negra, LGBTs e casais de 30 anos parecem querer, de fato, diversão.

Desconhecidos se beijam, freiras viram catuaba na boca de quem animar, jovens universitários suam ao som de Pablo Vittar e o letreiro é enfático: Deus abençoe o rolê.

 

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