Comic Con 2016 atrai cosplayers de filmes e games

Pedro Paulo Cunha e Rosana Cunha interpretam seus personagens preferidos da franquia Star Wars

 

Fernanda Siepierski como Fox McCloud

"Representação", "disfarce" ou "fantasia". Chame como quiser, o que importa é se divertir. O cosplay é uma arte nascida no início do século passado, nos Estados Unidos, e que hoje toma conta dos eventos geek que ocorrem pelo mundo. A prática consiste em viver a realidade de personagens da cultura POP, encenando clássicas cenas do cinema ou do universo dos videogames.

Os artistas imitam tudo: figurino, cabelo, maquiagem, trejeitos, voz e até as relações entre personagens que existem nas histórias originais. Seja por hobby ou profissionalmente, os cosplayers atraem olhares de qualquer pessoa, seja fã da cultura nerd ou não.

De 2 a 4 de dezembro acontece em São Paulo a Comic Con Experience, um dos maiores eventos geek do mundo, que reúne estandes dos principais produtores e distribuidores de filmes, games e quadrinhos.

“Cosplay é uma arte na medida que você fabrica e trabalha com o visual. Você se arruma e interpreta um personagem. Há um cuidado com os elementos e cores para criarmos ilusões. Usamos muito a sensibilidade para construir os personagens e não deixa de ser uma expressão da nossa identidade", comenta a baiana Ana Luiza Simas, de 32 anos.

 

Ana Luiza Simas como Professora Minerva Mcgonagall

 

 

Contudo, os fãs da arte acabam gastando bastante dinheiro para ficarem o mais fieis possíveis aos personagens interpretados. Muitas vezes, exportar materiais, roupas, perucas e acessórios é a melhor saída. Mas a falta de recursos não é desculpa para ficar de fora da brincadeira.

A produção autoral das fantasias faz com que o cosplaying não pese tanto no bolso, como explica Leonardo Rivaldi, que interpreta o personagem Predador. “Eu uso EVA para fazer minhas coisas, como aquele de tatâme. Outras pessoas fazem as armaduras com fibra de vidro, que é bem mais duro mas mais caro também”. Existem também os cosmakers, pessoas que vendem peças para que os cosplayers aperfeiçoem as caracterizações.

Cosplay não precisa ser um hobby caro se você aproveitar e comprar roupas mais fáceis de customizar. Eu não gasto muito, porque costuro e consigo reciclar elementos de um personagem para outros”, completa Simas.

 

Leonardo Rinaldi como Predador

 

Ser cosplayer é uma atividade nada recente. Em 1939,  Forrest J. Ackerman e sua esposa foram as primeiras pessoas a aparecerem fantasiadas na Wordcon, a principal convenção de ficção científica do início do século passado. A fantasia do casal trazia referências do filme Things to Come, de 1936.

Desde então, feiras do gênero passaram a promover concursos entre os fãs melhores caracterizados. A prática chegou ao Japão na década de 1980, onde ganhou o nome que conhecemos hoje. Lá, os artistas se inspiravam principalmente em personagens de animes e mangás, tornando o cosplay um fenômeno. Por esse motivo associamos a atividade ao país asiático.

 

Thalita Carraschi como Mulher Maravilha

 

Rosana e Pedro Paulo Cunha transformaram o cosplay numa brincadeira de família que já dura 10 anos. A tia e o sobrinho são fãs da cultura nerd e viram um no outro a companhia para se divertirem. "A gente gosta das mesma coisas. Por exemplo, a mãe dele não curte, nem meu marido. Então foi bem legal ter a parceria dele para fazer cosplay. A gente não compete, só queremos nos divertir e por isso viemos de Brasília para São Paulo".

"Diversão" é a palavra-chave para quem pretende ser um cosplayer. Para Victor Karl, adorador do personagem Kaecilius, não vale pensar em concorrência. “Tem gente que se dói, que acha que é o dono do personagem. Mas ai já não é saudável, porque fazemos sempre por diversão. Eu acho engraçado que as pessoas têm esse sentimento de concorrência, mas era para ser sempre um sentimento de amizade, já que gostamos dos mesmos personagens”.

 

Victor Karl como Kaecilius

 

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