Blocos de Carnaval ocupam Câmara de Vereadores em SP

Desde 2014, o Carnaval de SP passa por um crescimento, tanto de foliões quanto de blocos (Créditos: Divulgação)

 

Produtores culturais e fundadores de cerca de 50 blocos de Carnaval ocupam hoje (13/12), a partir das 15 horas, a Câmara de Vereadores de São Paulo, na região central.

A manifestação, divulgada via Facebook, tem como alvo o Projeto de Lei 279/2016, proposto pelo vereador Aurélio Nomura, e a posterior emenda feita pelo também vereador Milton Leite.

O PL 279/2016 regulamente a realização do Carnaval de rua na cidade. Estabelece diretrizes sobre o uso do espaço público, do cadastro dos blocos e o possível financiamento de grupos.

A emenda feita por Milton Leite, dedica especial atenção, ao formato do evento. Ele propõe, que a estruturação e organização deva ser feita com a participação dos responsáveis pelas organizações carnavalescas, com parceria com entidades privadas.

A proposta, segundo os produtores culturais, prejudica os blocos que não têm relação com escolas de samba ou organizações tradicionais.

"Essa emenda puxa a organização do Carnaval de rua para as ligas e associações que já existem, que são as únicas que têm estrutura para isso. Elas são grandes e antigas.", afirma Guilherme Coelho, coordenador de mobilização da ONG Minha Sampa, uma das entidades organizadoras do protesto. 

"Qualquer regra ou proibição dura a um bloco de bairro -- de 50, 100 pessoas --, inviabiliza o bloco", acrescenta.

Ana Luiza Borges, fundadora e produtora do Bloco Bastardo, concorda com ele e complementa: "É um projeto de lei que não dá conta da diversidade das manifestações carnavalescas na cidade. Não há nenhum problema em dialogar com os blocos maiores e escolas de sampa, o problema é impactar os blocos menores, que desde 2013 passaram por uma eclosão e transformaram o Carnaval da cidade".

O Bloco de Ana Luíza, o Bastardo, é novo. Nascido no final de 2013, reúne entre 8 e 10 mil pessoas na Praça Benedito Calixto, Vila Madalena, Zona Oeste. Não têm uma entidade privada por trás. Sobrevive de doações da comunidade e de empresas.

 

 

A reportagem do O Beijo tentou falar com o vereador Milton Leite e também ter acesso a emenda na íntegra. Até publicação da notícia, porém, o político não foi encontrado.

Atualização : 13/12, às 10h54.

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