"A Cracolândia é muito complexa. É difícil saber o que funciona"

Imagem área do fluxo, região de comércio de crack e concentração de usuários (Créditos: Reprodução/ Vimeo)

 

A produtora audiovisual Sofia Amaral é a autora dessa frase e diretora do mini documentário Noia. O filme, lançado hoje (9/12), traz depoimentos de usuários de crack contemplados pelo programa De Braços Abertos.

Sofia Amaral (Créditos: Reprodução/
Facebook)

 

Esse projeto, implementado pelo prefeito Fernando Haddad em 2014, é um plano de políticas sobre crack, álcool e outras drogas. Orientado pelas práticas da redução de danos e não pela repressão, busca respeitar a imagem e resgatar a cidadania dos dependentes químicos.

Em entrevista a'O Beijo, Sofia falou sobre o processo de produção do documentário. Confira abaixo trechos do bate-papo.

 

 

 

SITE O BEIJO -- Como foi o processo de produção do documentário?

SOFIA AMARAL -- Foram 2 meses de pesquisa e 4 dias de filmagem. Nossa equipe era formada por mim que fiz o roteiro e dirigi, pelo Paulo Pereira que fez a câmera e a direção fotografia, o Geraldo Floriano que fez o som direto. A Clara Bastos foi responsável pela montagem e o André Oliveira "Cebola" pela finalização, cor e videografismo.

SITE O BEIJO -- Você pode falar um pouco sobre a proposta fotográfica?

SA -- Nós tivemos o cuidado de não representá-los  (usuários de crack) de forma pejorativa. Os tratamos como depoimentos comuns. Parece algo óbvio, mas não é. Muita gente faz diferente.Também tentamos não expor os rostos deles além do necessário, há muitos planos de mãos. Não expomos as pessoas que não deram entrevistas. 

SITE O BEIJO -- Como foi se aproximar deles?

SA -- Comecei a pesquisa com a ajuda da assistente social Carmem Lopes que trabalha no fluxo (aglomeração na região da Cracolândia, onde há venda de drogas) há muitos anos. Ela me deu respaldo. Também sempre fui com alguém que já era conhecido, por exemplo o pessoal da Casa Rodante que faz o Sarau da Pedra.

Claro que tem resistência. Tem gente que fica super a fim, tem gente que fica puto. E, dentro do fluxo, ninguém pode filmar. Aí, são os traficantes que proíbem. 

SITE O BEIJO -- Uma das entrevistadas fala sobre  a importância do programa De Braços Abertos. Como você vê essa questão?

SA -- A questão da Cracolândia é muito complicada. É difícil saber o que funciona, o que tem que fazer. Lógico que o projeto é importante, porque resgata a dignidade dos usuários de crack. E aí entra a tão criticada remuneração. Ela é parte dessa ideia de eles se organizarem, terem cama, dinheiro, trabalho. É um resgate da cidadania. Algo muito importante.// 

 

Noia from Agência Pública on Vimeo.

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