7 artistas lésbicas para acompanhar: JLO_Borges (4/7)

A corpa lésbica é cheia de marcas, cicatrizes, medo, receio, conflito, desentendimento, desencontros... mas não só.

É também inundado de histórias, opiniões, vontades, propostas, visões, reflexões, projeções, esperanças e força. Muita força.

É no exercício de pensar o corpo da mulher lésbica que a corpa surgi e ressurge, conversa, discorda, propõe, diz.

Antes de tudo o corpo é um espaço possível da experimentação, do exercício, da reformulação. Onde as formas de dominação alcançam é importante estarmos atentas ao fato de que tudo é passível de ser apropriado e esvaziado, até mesmo nossos corpos.

Se assumir lésbica é sim também um ato político pois marca uma posição frente a uma série de ideias e ações que aprisionam não só o corpo, mas também a mente das mulheres.

É uma força e uma necessidade que vem de quem é apontada como o outro. Outro porque existem pontos de referência que se dizem inquestionáveis, tradições, naturais, 'questão de gosto' etc...

A sexualidade, então, seria também uma afirmação política. Por isso é importante compreendermos sua história, suas pessoas, como se expressam, o que pensam, o que propõe. Abrir um pouco mais de espaço para aprofundamentos.

Ser lésbica é ser resistência, e resistir é 'conservar-se firme, não sucumbir, não ceder, não ceder ao choque de outro corpo'. 

Da mesma forma que ser lésbica é também uma afirmação política, heterossexualidade também o é. Pensar que não só reforça o imaginário fetichista e lesbofóbico, também do entendimento das mulheres lésbico com o outro. Dificulta a localização dessa sexualidade no tempo/espaço preservando o imaginário "divino" e "natural" ligados a ela e pouco propõe aos seus praticantes uma reflexão crítica a respeito dessa perspectiva. 

                                                                                 ***

                                                                        JLO Borges

O processo da série Transar-te inicia-se com reflexões acerca do corpo lésbico, suas idiossincrasias e as diferenças existentes nas percepções do corpo feminino heterossexual e suas corpas lesbofeministas que entendem a feminilidade e suas intervenções na corpa natural da mulher como instituições do patriarcado e da misoginia nas convicções e percepções da mulher heterossexual sobre seu corpo;

Com o intuito de retratar o sexo lésbico - o sexo natural, sem intervenções características da feminilidade heterossexual normativa, foi iniciada uma pesquisa para criar textura através dos pêlos púbicos.  

SÉRIE  TRANSAR-TE (2017-2018)

Transar-te é um projeto de Antropometria Sexual Lésbico. Trata-se da produção artística criada através do friccionamento de partes do corpo lésbico pigmentado, imprimindo imagens abstratas.

Neste projeto, mãos, dedos, seios, coxas, pentelhos e vulva são instrumentos artísticos que exprimem sensações sobre sexualidade lésbica -  sensações que envolvem as trocas que acontecem entre mulheres em relações afetivo-sexuais e; as que as corpas e sexualidade lésbica imprimem na massa populacional das sociedades patriarcais e lesbofóbicas.


TRÍBADES

O termo “tríbade” faz referência às mulheres indígenas que, em suas tribos, se relacionavam afetivo-sexualmente com outras mulheres. Como consequência, o ato sexual que praticavam ficou conhecido como “tribadismo” - o friccionamento das vaginas, com deleite sexual e orgasmos das mulheres.

Em busca do resgate da memória lésbica e da expressão da subjetividade sexual sáfica, a séries “Transar-te” é composta pelas tríbades (trios de telas) nas quais a artista fricciona o sexo pigmentado com tinta acrílica, revelando impressões abstratas de uma das mais antigas práticas sexuais lésbicas.

Cada tríbade representa uma série de movimentos, revelando a riqueza da sexualidade lésbica, tão fetichizada e apagada em seu real sentido e suas práticas.

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FRÍCATES

O termo “frícate” também é utilizado para denominar mulheres que se relacionavam afetivo-sexualmente com mulheres. Ele se refere justamente ao friccionamento das corpas que hoje chamamos de lésbicas, ou seja, é um significante de prática que passa a denominar àquelas que fazem uso da mesma.

São construídas a partir do friccionamento de seios, coxas, mãos e vulva pigmentadas com tinta acrílica nas telas.

As frícates revelam o prazer lésbico além da vulva; os arrepios e gemidos que vertem de um corpo lésbico em contato com o outro.

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