4 livros para conhecer melhor o feminismo e suas vertentes

O movimento feminista tem pouco mais de um século e múltiplas vertentes e correntes, incluindo outros grupos (mulheres negras, mulheres trans) ou outras pautas de lutas, sejam as que seguem a linha do feminismo radical ou da teoria queer. Separamos uma relação de alguns livros, uns mais profundos, outros menos densos, para um melhor entendimento do que o feminismo busca em sociedade.  

 

Mulheres, raça e classe, de Angela Davis, Editora Boitempo (2016)


Mulheres, Raça e Classe, de Angela Davis, é uma obra fundamental para se entender as nuances das opressões. O livro começa tratando da escravidão e de seus efeitos, da forma pela qual a mulher negra foi desumanizada, nos dando a dimensão da impossibilidade de se pensar um projeto de nação que desconsidere a centralidade da questão racial, já que as sociedades escravocratas foram fundadas no racismo. Além disso, a autora mostra a necessidade da não hierarquização das opressões, ou seja, o quanto é preciso considerar a intersecção de raça, classe e gênero para possibilitar um novo modelo de sociedade.

 

Gênero machuca, de Sheila Jeffreys, Editora Routledge (2014)


Gênero Machuca busca provar que a transgeneneridade trata-se de uma construção social de meados até o final do século 20. O conceito “transgênero” foi, como colocou o antropólogo David Valentin, ‘instituido’ nos anos 90. Desde então, uma nova história da transgeneridade tem sido criada para legitimar as ideias e práticas de ativistas transgêneros. Essa nova história alega que sempre houve pessoas que eram sempre ‘transgêneras’ por essência durante todos os períodos históricos.

 

O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, Editora Nova Fronteira (2009)

 

Provedora, vassala, acolhedora. Não importa como se apresenta, o lugar da mulher sempre foi definido pelo homem. Este configura a posição central na sociedade. O homem - que tomou para si a definição de 'ser humano' - relega à mulher uma posição secundária, um papel de coadjuvante na História. Foi a partir dessa constatação e da pergunta 'o que é uma mulher?' que a filósofa existencialista Simone de Beauvoir deu início à sua reflexão para escrever 'O Segundo Sexo'. A preocupação contudo não foi em equiparar um gênero a outro. Para ela, isso seria demasiado simplista, inclusive porque o homem é 'um ser absoluto', enquanto a mulher ainda não o é. Simone de Beauvoir procurou compreender de que maneira a mulher ocupou, ou a fizeram ocupar, essa posição de 'segundo sexo' em diferentes sociedades, como ela se coloca no mundo e como contribui para essa configuração social.

 

Sejamos Todas Feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie, Companhia das Letras (2014)


O que significa ser feminista no século XXI? Por que o feminismo é essencial para libertar homens e mulheres? Eis as questões que estão no cerne de Sejamos todos feministas, ensaio da premiada autora de Americanah e Meio Sol Amarelo. "A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente.

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