Peça aborda impactos das hidrelétricas

Fica em cartaz até o dia 1º de agosto na Oficina Cultural Oswald de Andrade a peça A Barragem de Santa Luzia, com direção de Rudifran e co-direção de de Tiche Vianna.

A peça narra o drama da jovem Maria Flor, que é obrigada a sair de sua terra em função do rompimento de uma barragem para a construção de uma usina hidrelétrica na região.

Ela se recusa a deixar a sua vida e resolve construir um universo próprio, cheio de desejos e descobertas, a partir do barro de seu quintal.

Os horizontes e sonhos de Maria são abalados quando ela encontra uma velha caixa-mala repleta de memórias de seu bisavô. Esse artefato é capaz de transformar o pensamento da jovem sobre a vida e sobre tudo que pode decorrer dela.

 

(Crédito:Divulgação/Arô Ribeiro)

 

“A motivação do texto é a fábula da resistência. Resistência em todos os sentidos, da terra, da mulher. O espetáculo fala sobre essa mulher que, para não perder o pouco que tem, precisa resistir ao possível desaparecimento de sua história.

Fala sobre memória, sobre a fragmentação do pensamento e sobre a terra e o desejo de se permanecer onde se trabalhou, viveu e plantou raízes.

No desespero do fim de tudo, a personagem procura uma lacuna de salvação de sua dignidade e de sua trajetória histórica, e, mesmo que tudo seja um campo imaginário, ela resolve criar um novo mundo no quintal da casa onde vive e onde pretende ficar até o fim”, comenta o autor e co-diretor.

 

(Crédito:Divulgação/Arô Ribeiro)

 

A ideia é criar uma discussão sobre a ressignificação de memórias em contraponto com os conflitos vividos no tempo presente pela personagem.

Também central na encenação e no texto são as questões de identidade de gênero e a forma como são colocadas na contemporaneidade.

A partir de suas idealizações e das perspectivas de um mundo ideal, Maria percebe a dificuldade e a dimensão simbólica de reorganizar-se diante da vida.

“Essa ressignificação mostra que é preciso agir de alguma forma mais eficiente para se combater o esquecimento de quem somos e de quem algum dia fomos.

Às vezes, é preciso à iminência do fim para entendermos o quão importante são as memórias na nossa linha narrativa e na nossa história, nosso lugar de fala, nossa identidade”, acrescenta Pompeu.

  • Oficina Cultural Oswald de Andrade - Rua Três Rios , 363 - Bom Retiro, São Paulo
    (11) 3222-2662 / (11) 3221-4704
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  • 11/06/2018 a 01/08/2018
  • Segunda a quarta: 20h.
  • Entrada gratuita.
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