Peça utiliza personagens clássicos para moldar o que é ser mulher

Estreia no dia 26 de maio, às 21h, no Teatro da USP - TUSP, o espetáculo Mulher Sem Fim.

Constituído por pequenos quadros narrativos, a obra propõe uma reflexão sobre a construção cultural da mulher no aspecto social, afetivo e subjetivo, com apresentação solo de Andréia Nhur.

Em cena, a artista dança, canta e representa em uma narrativa descontínua corpos de mulheres tomados pelos contextos em que elas vivem.

 

(Créditos: Divulgação / Paola Bertollini)

 

Sendo assim, a representação de uma reza árabe vira a imagem de uma escultura de Afrodite para logo em seguida se tornar a canção Jesus, Alegria dos Homens, de Bach. "As culturas vão se transformando no corpo a partir do que cada som ou movimento lembra. A partitura corre pelo meu corpo e chega nas imagens dos cantos, por exemplo", conta a artista.

Em alguns dos quadros, a atriz referencia personagens femininas conhecidas mundialmente, como Emma Bovary, do romance francês de Gustave Flaubert Madame Bovary, e Lady Macbeth, da peça Macbeth, de William Shakespeare.

"A visão que Emma criou da liberdade está muito associada ao que um homem poderia oferecer a ela. Emma é uma espécie de heroína aprisionada, porque tudo que existia em seu universo era parte de uma construção masculina", avalia Andréia.

 

(Créditos: Divulgação / Paola Bertollini)

 

Andréia também reproduz o canto de uma pastora cristã para experimentar o que "a voz da religião pode fazer com a voz de uma mulher" e se referencia a mulheres assassinadas por regimentos totalitários na história universal, como Joana D'arc, queimada viva, e Mary Stuart, decapitada.

A artista ainda conduz o público num canto à Nossa Senhora do Rosário que resulta do relato de Dadá, esposa de Corisco (cangaceiro de Lampião) - cuja morte foi fundamental para o enfraquecimento do cangaço - e passa por uma menção à cantora e atriz luso-brasileira Carmen Miranda.

"São várias narrativas que se encerram e chegam nas outras", sintetiza Andréia, reforçando no entanto que o que conduz Mulher Sem Fim é a narrativa de mulheres vivendo nos limites do que suas culturas oferecem.

 

(Créditos: Divulgação / Paola Bertollini)

 

  • TUSP - Rua Maria Antônia, 294 - Consolação, São Paulo
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  • 26/05/2017 a 04/06/2017
  • Sexta e sábado: 21h. Domingo: 18h.
  • Inteira R$ 10. Meia R$ 5.
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