MASP realiza curso sobre Arte Africana

Pintura de Iba N'Diaye, um dos artistas africanos abordados no curso (Créditos: Reprodução/ The Art History Archive)

 

Em 2017, o MASP realiza o curso Arte Africana: modernismo e contemporaneidade. A atividade, ministrada pela curadora Sabrina Moura (veja bio no final da nota) conta com quatro encontros em fevereiro, às quinta-feiras. As inscrições ainda estão abertas.

Segundo informe do museu, o curso introduz obras, contextos expositivos e conceitos relativos à produção artística no continente africano e sua diáspora, a partir dos anos 1960. Aqui, examinaremos o surgimento dos modernismos na África Ocidental, a emergência da cena contemporânea e o seu diálogo com o campo da arte global.

Em cada aula, serão enfocados em estudos de caso que iluminem as experiências históricas e plataformas políticas transversais às práticas artísticas apresentadas. Esse recorte será o motor para o questionamento de marcadores comumente associados ao campo da arte africana, como as noções de primitivo ou tradicional.

 

Obra do artista africano Papa Iba Tall (Créditos: Reprodução/ African Art Agenda)

 

Sabrina Moura é curadora e pesquisadora. Doutoranda no departamento de História da Unicamp, onde realiza pesquisa sobre as políticas culturais que levaram a criação das bienais de Havana e Dacar, entre os anos 1980 e 2000. Possui mestrado em Estética e História da Arte pela Universidade Paris VIII e mestrado em direção de projetos culturais pela Universidade Paris III Sorbonne Nouvelle. 

O investimento é de R$ 300 reais que podem ser divididos em 5  parcelas. As inscrições devem ser feitas pelo site do MASP. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: 3149-5959 ou pelo email: escola@masp.org.br.

Programa 
02/02. Aula 01
As estátuas também morrem?
O curso abre com um debate sobre o filme Les statues meurent aussi de Chris Marker, Alain Resnais e Ghislain Cloquet. Realizado com o apoio da revista Présence Africaine, em 1953. Aqui, o filme servirá como ponto de partida para explorarmos as diversas questões que atravessam a produção artística africana abordadas ao longo curso. Entre elas, a própria noção de“arte africana” ou “artes negras” (arts nègres), e suas formas de exibição dentro e fora da África. Além disso, discutiremos sua relação com o campo da etnografia e os enquadramentos herdados do colonialismo, os modernismos e os contextos políticos da África pós-independência(s), a emergência de novas formas de exibição e narrativas no contexto da diáspora.
 
 
 
09/02. Aula 02
Independências e Modernismos: Senegal, Congo e Nigéria
A experiência da descolonização em diversos países africanos ocorre em estreito diálogo com o campo das artes visuais. No Senegal, os vinte anos nos quais o poeta Léopold Sendar Senghor (1960-80) esteve no poder levaram a criação de diversos equipamentos culturais e permitiram o surgimento de movimentos com a Escola de Dacar, da qual emergem artistas como Iba N'Diaye e Papa Iba Tall.. Nesse contexto, três festivais culturais organizados em Dacar (Senegal), Kinshasa (Congo) e Lagos (Nigéria), marcam os debates panafricanistas que ganham força no contexto da diáspora, tornando-se palco de uma produção artística associada a um amplo debate político sobre o continente em transformação.
 
16/02. Aula 03
Contemporaneidade africana: das margens ao centro da globalização
A terceira aula do curso será dedicada a produção artística africana realizada entre os anos 1980 e 2000. Aqui, exploraremos diversas obras em relação aos seus contextos sociais e políticos, como: a censura e a crítica colonialista no cinema de Ousmane Sembene, a transição do apartheid na África do Sul no trabalho de Sue Williamson e William Kentridge, a noção de raça e história na obra de Godfried Donkor, entre outros. Analisaremos como essa produção passa a ocupar um papel de relevância no cenário da arte global, quando o campo passa por importantes revisões à luz da teoria pós-colonial
 
23/02. Aula 04
Exposições de arte africana e a emergência de novos discursos
Na última aula do curso, iremos investigar como os contextos expositivos em que a produção africana é exibida afetam sua recepção dentro e fora da África. De Primitivism in the 20th Century (1984), Africa Explores (1991), passando por Authentic/Ex-centric (2001), Africa Remix (2003), até as diversas edições da Bienal de Dacar, iremos estudar uma série de exposiçõesde arte africana que contribuíram para a emergência de novos discursos e enquadramentos acerca dessa produção. No contexto brasileiro, abordaremos a mostra África Negra, exibida no MASP e concebida por Lina Bo Bardi e Pierre Verger na ocasião do centenário da abolição, em 1988, o segmento dedicado a “arte afro-brasileira” na Mostra do Redescobrimento (2000), entre outras

 

  • Museu de Arte de São Paulo (MASP) - Avenida Paulista, 1578 - , São Paulo
    (11) 3251-5644
    + Ver mapa
  • 02/02/2017 a 23/02/2017
  • Quinta: 19h às 21h.
  • R$ 300,00 ou 5x R$ 60,00.
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