Expedições de Flávio de Carvalho são tema de mostra em SP

A Caixa Cultural São Paulo recebe, de 9 de janeiro a 4 de março, a exposição Flávio de Carvalho - Expedicionário, que apresenta inúmeras experiências do artista que estabeleceu pontes para práticas libertárias da arte brasileira. 

Organizada pelos curadores Amanda Bonan e Renato Rezende, a mostra reúne projetos experimentais, fotografias, filme, documentos, cadernos de viagem e reportagens de jornal,  revelando uma faceta pouco conhecida de Flávio de Carvalho.

Para Oswald de Andrade, ele era “o antropófago ideal”. Engenheiro civil, arquiteto, cenógrafo, artista plástico, escritor, performer, estilista, entre outras ocupações. É difícil encontrar uma área de criação pela qual Flávio de Carvalho não tenha se aventurado.

Segundo ele mesmo afirmava, o artista é como um arqueólogo, e ele, de certa forma, dá continuidade à herança expedicionária fundadora do Brasil.

 

Eva Harms e Olga Walewska. Expedição Amazônica, também conhecida como Experiência nº- 4 e realizada em 1958. (Créditos: Divulgação / Flávio de Carvalho)

 

Em Flávio de Carvalho - Expedicionário foram reunidos resíduos e vestígios deixados por uma série de projetos de cunho experimental e expedicionário levados a cabo pelo artista modernista que se dedicou a quebrar regras, alargar  horizontes e romper as formas academicistas de tratar a arte. 

Flávio de Carvalho é, ainda hoje, é sinônimo de invenção e polêmica. Apontado como um titã da modernidade, o artista continua provocando o mundo com seu pensamento contestatório.

A imagem do artista passeando pelas ruas de São Paulo com o New Look, traje que ele criou como sendo ideal para o homem dos trópicos – saia de pregas, blusa de mangas bufantes, meia arrastão e sandália de couro – ainda hoje é capaz de chocar os incautos.

O modernista costumava definir-se como “um arqueólogo malcomportado - com mais probabilidades de compreender o não-tempo", que vasculhava as mais profundas camadas de sensibilidade, sem reverenciar o que ele chamava de catecismo científico. 

 

Eva Harms, Flávio de Carvalho, Olga Walewska e desconhecido, na Experiência nº- 4 em 1958 (Créditos: Divulgação / Flávio de Carvalho)

 

A exposição é dividida por expedições, como a Viagem à Europa (1934-1935), que rendeu os relatos do livro Os Ossos do Mundo, um verdadeiro caleidoscópio de questões e especulações que o artista desenvolveu a partir de observações sobre cada país, Rumo ao Paraguai (1943-1944) e Viagens aos Andes (1947), contendo dados e documentos dessa incursão do artista à América Latina.

São fotografias, recortes de jornais e reproduções de partes de originais escritos à máquina. Há também a expedição Viagem à Amazônia (1956), com projeção de uma edição do filme A Deusa Branca, que une pesquisa etnográfica e drama ficcional de tons surrealistas a partir da história de uma menina branca raptada por índios.

 

Indígenas da tribo Xirianã, na Experiência nº- 4 em 1958 (Créditos: Divulgação / Flávio de Carvalho)

 

  • Caixa Cultural São Paulo - Praça da Sé, 111 - Centro, São Paulo
    (11) 3321-4400
    + Ver mapa
  • 10/01/2018 a 04/03/2018
  • Terça a domingo: 9h às 19h.
  • Entrada gratuita.
Comentários
Escola Entrópica no Instituto Tomie Ohtake Museu de Arte Moderna de São Paulo