Esculturas de Véio são tema de exposição no Itaú Cultural

A partir de março, o público tem acesso ao universo original de Véio na mostra A Imaginação da Madeira, em cartaz no Itaú Cultural.

Em troncos encontrados na natureza, o escultor sergipano cria e colore, com cores vivas, formas insólitas, ou produz rústicos personagens do sertão em madeira crua.

São cerca de 270 peças, entre criações abstratas, inesperadas, bestiário - cachorros, cobras, pássaros -, gente.

 

(Créditos: Divulgação)

 

Algumas sugerem monstros imaginários, outras aludem a criaturas cujas formas evocam seres familiares; outras, ainda, remetem a figuras endiabradas ou personagens do sertão nordestino em seus afazeres do dia-a-dia.

Algumas medem milímetros, outras, chegam a 2 metros de altura. Todas são feitas com madeira morta, restos de árvore que ele recolhe nos arredores do sítio onde vive, nos arredores do município de Nossa Senhora da Glória, em Sergipe.

Juntas, essas obras compõem um panorama nem sempre verista do cotidiano dessa região brasileira e do universo particular de Cícero Alves dos Santos.

 

(Créditos: Divulgação)

 

 

Véio tem uma grande necessidade de contar e recontar histórias. Para não deixar o passado morrer, eterniza em sua obra um sertão quase em extinção.

Esse movimento de reter a origem e a história da sua gente levou o artista a colecionar instrumentos de trabalho, máquinas primitivas, métodos obsoletos, carro de bois, casa de farinha.

A mostra, em cartaz até 13 de maio, também traz esse outro lado, através de histórias dele, de outros, por ele e para ele. Histórias que, segundo o escultor, precisam ser contadas, como o causo abaixo:

 

Véio em seu quintal (Créditos: Divulgação)

 

[UM MENINO VELHO]

Quando eu tinha 5 anos, mais ou menos, os idosos se reuniam pra conversar e contar causos. Eu ficava ali quieto, olhando e escutando. Não era permitido criança ouvir conversa dos mais velhos. Só que eu tinha uns protetores, que sempre diziam: “Deixa ele aqui! Ele não interrompe ninguém!”. Ali eu ficava. Meus colegas pequenos sempre diziam que, por causa disso, eu parecia um velho. Com 5 anos, eu já era velho. Segui essa tradição de ser velho.

Como esses antigos saíram de circulação e não preservaram a história nem os seus pertences, eu me vi na obrigação, pelo nome que me deram, de preservar as coisas que eles tinham e usaram. Tudo o que guardei fala da história, da vida, da linguagem, dos costumes e da tradição.

 

 

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  • Itaú Cultural - Avenida Paulista, 149 - Bela Vista, São Paulo
    (11) 2168-1777 / (11) 2168-1776
    + Ver mapa
  • 14/03/2018 a 13/05/2018
  • Terça a sexta: 9h às 20h. Sábado e domingo: 11h às 20h.
  • Entrada gratuita.
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