Ana Luiza Rego resgata a figura bíblica de Salomé

Obra intitulada "Laura" (Créditos: Divulgação / Ana Luiza Rego / Daniel Jaén)

 

A artista visual Ana Luiza Rego abre a exposição Contos Saloméicos, onde apresenta sua “Salomé avatar”, uma releitura contemporânea da polêmica figura bíblica.

Coincidentemente, a abertura acontece na data em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher, na Galeria Patricia Costa, no Shopping Cassino Atlântico, com curadoria de Fernando Cocchiarale.

 

Obra intitulada "Isadora" (Créditos: Divulgação / Ana Luiza Rego / Daniel Jaén)

 

São ao todo nove telas a óleo sobre linho, de grandes e pequenos formatos, onde a narrativa deixa de lado a história bíblica em si, para falar de momentos de solidão, de reflexão, de euforia e poder, numa abordagem com alguns toques de humor.

Todas têm nomes femininos, como Sofia, Diana, Isadora. Trata-se de uma Salomé ligeiramente subversiva às convenções sociais ainda vigentes, com uma leitura absolutamente individual e aberta às mais diversas interpretações.

 

Obra intitulada "Diana" (Créditos: Divulgação / Ana Luiza Rego / Daniel Jaén)

 

“A ideia da personagem Salomé nas pinturas surgiu por acaso - mas nem tanto. Justamente num ano que tanto aconteceu nos movimentos feministas, num ano de #metoo, de mulheres de preto no Globo de Ouro e Time’s UP. Atribuo ao inconsciente coletivo o resgate dessa história bíblica, que conta uma das primeiras revanches ao machismo e ao preconceito contra os direitos da mulher, num planeta em que o homem ainda pode tudo”, explica Ana Luiza Rego.

 

Obra intitulada "Norma" (Créditos: Divulgação / Ana Luiza Rego / Daniel Jaén)

 

A artista ressalta ainda uma curiosidade: Salomé inspirou, por dois mil anos, grandes nomes da Arte, todos masculinos, como Oscar Wilde, Carlos Saura, Strauss, Caravaggio, Regnault, Klimt e Flaubert, entre outros.

Seja qual for a interpretação, as obras apresentam composições levadas ao extremo, convidando o olhar do espectador a circular pela superfície da tela, conduzido pelas pinceladas, pela matéria e pelo uso de cor.

 

Obra intitulada "Yasmin" (Créditos: Divulgação / Ana Luiza Rego / Daniel Jaén)

 

“Impregnada de referências contemporâneas, a personagem deixa pistas que vão construindo uma personalidade de mulher independente e emancipada. As cabeças de João Batista representam uma metáfora para a morte de um tipo de homem que não faz mais sentido nesse universo das obras”, ressalta a artista.

 

Obra intitulada "Camila" (Créditos: Divulgação / Ana Luiza Rego / Daniel Jaén)

 

  • Galeria Patricia Costa - Avenida Atlântica, 4240 - Copacabana, Rio de Janeiro
    + Ver mapa
  • 08/03/2018 a 29/03/2018
  • Segunda a sexta: 11h às 19h. Sábado: 12h às 18h.
  • Entrada gratuita.
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