Tupi or not Tupi

8 abril 2015
(Crédito: Reprodução/Internet)

 

Hoje em dia, é comum ouvir o lamento: "O Teatro esta morto",  "O público não comparece", "O público não tem cultura suficiente para a Arte".  O que fazer? Cortar os pulsos e saltar do penhasco como Lady Macbeth em Shakespeare? Ou se deixar morrer em lágrimas como Ofélias diante da desilusão amorosa pela Arte?

Se a força do agir não permite o ato, somos Hamlet no eterno lamento. Se força do querer ultrapassa o fato, nos tornamos Macbeth sujando as mãos de sangue na ambição celerada.Tupi or not Tupi? Diante das dificuldades, é comum botar a culpa no outro e desejar seu sangue. Mas um olhar atento sobre nós mesmos pode apontar questionamentos que nos livre do enigma da esfinge. Reflito: "Onde esta o público que não esta no Teatro? E onde esta o Teatro que não esta com o público?"

O público de fato paga "inteira" para assistir ao desbunde da tecnologia na sua sala de estar. TVHD, Home Theatre, Internet, conexão em tempo real, personagens virtuais e dramas surreais desfilam no circo de horrores das nossas telas. A disseminação do medo nos aprisiona em nossas cadeiras e nos faz consumir mais medo nas janelas dos sites que nos assistem. Seria um pista de onde esta o público?

"Se em casa tenho FULL HD, poltronas acolchoadas, sons especializados, conflitos 'reais'...  o que me faria pagar meia entrada para sentar numa sala de teatro sucateada, com bancos duros, desconfortáveis, refletores em curto-circuito, atores canastrões tentando fazer o teatro do século passado? Perdão amigo, prefiro meu balde de pipocas!"

Eis, então, uma isca: “O balde de pipocas!”. Jogue-o no colo do espectador, ofereça recompensas pelos seus “likes” e fidelize seu público em uma rede de contatos. Trace uma estratégia de marketing, pois dependendo do seu público alvo, encontrará para sua montagem o patrocínio de uma logomarca. Abrem-se, então, as cortinas para que estrelas do Capital dirijam o discurso da... Arte? <O Ator para e reflete sobre seu espetáculo>.

Mas não pense muito! Para este Teatro as salas se abarrotam! O público esta vivo e posta selfies ao lado das estrelas televisivas e das logos que os patrocinam. O palco é abstrato, mas agrega um valor virtual que tende a nos levar ao nocaute, diante de seus impactos midiáticos. Peça pelo número: 

-Quero um X-Selfie com Estrelas Midiáticas, poses com biquinhos e toneladas likes! 

-Desculpe, senhor, toneladas de likes só como adicional e será cobrada taxa extra, ok!?

-Ok! Pode ser!

-Aceita sorriso de plástico como cortesia!

-Não obrigado, estou farto.

-Pegue sua senha e aguarde no balcão.

-Obrigado!

-Imagina!

O público aguarda na fila para consumir sua promoção, posta selfies e recebe suas toneladas de likes. Feliz com o teatro que o consumiu, lota mais uma vez a platéia das rodas que movem a Cultura.

De fato há um teatro sem público, mas o público encontra para si um novo palco onde posta seu Teatro de Máscaras. No giro do Mundo, a Cultura sufoca a Arte e a Arte, sem fôlego, parece não agir Contracultura. Se o Mundo clama por mudanças, a Arte aguarda a sede de suas vanguardas.

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