Eu queria ser fotografa da National Geographic

30 maio 2017
Dinho Ouro Preto por Denise Andrade

 

Ainda quando eu era criança, meu pai apareceu com uma revista da National Geographic em casa. Na capa tinha um tigre e quando eu folheava aquela revista, pirava. Em casa tinha muitas revistas Manchete, Amiga, Contigo etc., mas aquela brilhou.

Aos 17 anos entrei no curso de fotografia no SENAC Água Branca, do lado do parque. Meu pai me levava para as aulas que começavam às 8h e iam até as 12h. Às vezes, ele ficava lendo jornal e passeando no parque para me esperar na saída, ele já era aposentado.

Eu era a caçula da família, meu pai queria que minha irmã fosse dentista e meu irmão advogado, como eles escolheram carreiras diferentes, meu pai não esperava nada de mim. É ótimo quando ninguém espera nada de você. Você pode fazer o que quiser.

Fui fazer fotografia, francês, saltar de para quedas (troquei meu baile de quinze anos por um curso de páraquedista. Aos dezesseis estava saltando de para quedas em Boituva, junto com meu irmão). Sempre fotografando tudo.

Esther amiga, minha mãe Wanda, meus tios Irma e Jorge ao fundo meu irmão Airton dobrando meu paraquedas ….ele saltava comigo 

 

Eu chegando ao chão e meu primo Marcos indo me buscar e a foto do meu irmão Airton. A família participava.

 

Terminei o curso de fotografia, e entrei na Faculdade de Belas Artes de São Paulo (eu queria arquitetura, prestei no meio do ano para testar se conseguiria entrar. Entrei em arquitetura, gostei e fiquei). Na faculdade também tinha a matéria fotografia.

Bem, mas pulando bastante a história, um dia comentei com alguém que queria ser fotógrafa da National Geographic e ele me disse: “Mas você já faz isso na selva de São Paulo”. Parei, pensei. É verdade!

 

Hebe Camargo por Denise Andrade

 

Quando saio para um trabalho, principalmente se for para o Estadão, na Coluna da Sonia Racy, onde trabalho, muitas vezes já sei que vou sair para pegar uma presa grande, uma personalidade importante.

Antes de sair o importante é fazer o checklist do material fotográfico… Carregar o flash, levar mais que um cartão de memória... No momento em que coloco as pilhas no flash, parece que estou carregando meu rifle de fotos (é o mesmo movimento) e quando entro em um evento vou olhando todos, mas tenho que pegar a presa principal.

O ministro, o governador, o prefeito, o cantor, a modelo… O mais top do evento. Pode passar todo mundo do meu lado, mas eu tenho que ir direto à minha presa. Porque se eu não pegar, a caçada dá errado e eu não posso voltar ao jornal sem essa foto, e eu não volto.

O melhor de tudo é quando você acha a presa, mira com a lente e espera o melhor momento para disparar. E quando isso acontece, wow, o prazer transborda. Na minha sala poderia ter várias cabeças, ops, retratos!

 

Lenine por Denise Andrade

 

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